Adson aparece ao lado de carro de luxo e bebida em Mônaco em seu Instagram — Reprodução/Arquivo Pessoal/Instagram
A Justiça de São Paulo aceitou nesta semana a denúncia por estupro feita pelo Ministério Público (MP) contra o empresário Adson Muniz Santos, de 34 anos, que fingia ser policial e produtor de TV, e o tornou réu no processo para que ele responda preso pelo crime cometido contra diversas mulheres. Ele também é acusado de roubar as vítimas.
O G1 apurou nesta sexta-feira (10) que o juiz Fernando Cesar Carrari, da 36ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda, Zona Oeste da capital, também converteu a prisão temporária de Adson, que venceu na quinta-feira (9), em preventiva. Ou seja, o magistrado decretou a preventiva para que ele fique detido por tempo indeterminado ou até seu eventual julgamento. A denúncia foi feita pela promotora Marcia Monassi. O processo segue sob segredo.
Adson está preso desde 11 de outubro após fotos dele serem compartilhadas no Facebook, sendo reconhecidas pelas vítimas como o homem que as abordava nas ruas usando credencias falsas de policial federal e produtor de televisão.
Vídeos gravados por câmeras de segurança de um hotel e de um estacionamento mostram o momento em que Adson aborda, respectivamente, uma candidata a atriz, e uma motorista. Os casos ocorreram nos dias 2 e 6 do mês passado. Em ambos, as mulheres contaram ter sido estupradas e roubadas por ele.
Adson negou os crimes aos jornalistas em uma das vezes em que foi levado para reconhecimento das vítimas na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), no centro da cidade. "Essas acusações, a maioria delas, são falsas”, havia dito ele, que alegou sofrer um transtorno mental e pediu um tratamento para se “curar”.
24 mulheres
Mas o número de mulheres que o apontaram como o responsável por estupra-las e assalta-las só aumentou. Em 28 de outubro a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que Adson havia sido indiciado por pelo menos oito crimes contra 24 vítimas que o reconheceram.
De acordo com a SSP, ele foi responsabilizado por estupro, roubo, sequestro, contravenção penal, uso de documento público e identidade falsos, perturbação da tranquilidade e importunação ofensiva ao pudor. Ele também seria autuado por estelionato.
A reportagem não conseguiu confirmar se o MP o denunciou por esses crimes e qual o número total de vítimas que ele foi acusado de atacar. Os ataques teriam começado em 2012.
Ele está detido na carceragem do 77º Distrito Policial (DP), Santa Cecília, região central da capital. Com a decretação da preventiva, Adson deverá ser transferido para uma unidade prisional.
'Predador sexual'
A reportagem não conseguiu localizar a delegada Cristine Nascimento, da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher, que investiga os crimes atribuídos a Adson e pediu a prisão preventiva dele à Justiça. Em algumas entrevistas, ela havia dito que “ele não pode ficar solto" porque "é um predador sexual".
Vítimas que reconheceram Adson disseram à reportagem que Adson mostrava fotos dele nas redes sociais ao lado de políticos, famosos, celebridades e ostentando uma vida de luxo, com carros importados e viagens pelo mundo, como uma 'isca' para se aproximar de quem abordava.
Entre os disfarces para ganhar a confiança das vítimas, ele fingia ser produtor de TV. Quando não era correspondido, Adson as ameaçava com uma arma de brinquedo, mostrando um distintivo, dizendo ser policial federal. Em outras ocasiões, chegava até mesmo a dizer que era amigo do preso Marcola, Marcos Willians Herbas Camacho, uma das lideranças da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), para intimidar as mulheres.
Vítimas
"Ele falou: 'eu sou o Adson Muniz e sou famoso, olhe minhas fotos na internet'", contou uma empresária de 50 anos que o reconheceu como o homem de terno que a abordou na terça-feira (10) perto de uma academia no Itaim Bibi, bairro de alto padrão de São Paulo. Como não deu bola, ela disse que ele a atacou gritando: 'Eu também sou amigo do Marcola'. Me puxou pelo braço, me deu um beijo na bochecha e comecei a andar rápido.”
Em uma filmagem do dia 2 de outubro, o suspeito aparece ao lado de uma mulher em um hotel. Ela conta que o agressor a convenceu a fazer testes para a TV, dizendo ser influente junto a famosos, e que ele usou uma arma para obrigá-la a tirar a roupa e a estuprou.
No dia 6 de outubro, a câmera de segurança de um estacionamento nos Jardins, área nobre da capital, gravou a abordagem de Adson a uma motorista, que foi obrigada a fazer sexo oral e dar dinheiro ao estuprador.
Adson foi preso no dia 11 de outubro em um hotel, após as vítimas divulgarem a foto dele na web. Com ele foram apreendidas uma pistola falsa, crachás falsos com brasão da Justiça Federal e da TV Globo. Desde então, a 1ª DDM recebe diversos telefonemas e visitas de mulheres que dizem ser vítimas dele. A delegacia fica na Rua Bitencourt Rodrigues, 200, no Centro. O telefone de lá é (11) 3241-3328.
Nascido em Livramento de Nossa Senhora, o baiano não tinha passagens criminais até então. Com o ensino médio completo e solteiro, ele pretendia ser presidente do Brasil um dia, segundo seu Instagram.
No seu perfil, Adson aparece em fotos ao lado de políticos do Partido Republicano Brasileiro (PRB), sigla pela qual conseguiu ser suplente de vereador por Jussiape, na Bahia, nas eleições de 2016. Procurado pela reportagem, o PRB informou que decidiu pela desfiliação do empresário.