Claudinei se exibe com fuzil até ser preso em operação — Reprodução/OJacaré
Os empresários Marcel Martins Silva e Claudinei Tolentino Marques vão a julgamento no próximo mês de março depois de terem sido apanhados na ação penal que apura lavagem de dinheiro do tráfico de drogas em movimentações financeiras que atingem cifras de R$ 300 milhões, segundo o MPF (Ministério Público Federal).
O processo contra Marcel e Claudinei, ambos moradores em Dourados, tem prioridade por terem sido presos preventivamente após operação Prime, da Polícia Federal, que investigou lavagem de capitais para legalizar o lucro com o tráfico de cocaína, que abastecia grandes centros no Brasil e o mercado internacional.
Segundo o MPF, o grupo era capitaneado pelos irmãos Marcel e Valter Martins, em conjunto com outras organizações criminosas que atuam na região da fronteira brasileira com o Paraguai.
Conforme repercute o blog Jacaré, a partir de informações obtidas no inquérito policial, Marcel Martins detinha a liderança do esquema, e se utilizava de terceiros, pessoas físicas e jurídicas, para dissimular a origem ilícita do patrimônio conquistado com a atividade criminosa
Além de Marcel Martins e Claudinei Tolentino Marques, vão a julgamento os réus Carlos José Alencar Rodrigues, Eder Mathias Bocskor, Wagner Germany, Paulo Antônio da Silva Viana, Vagner Antônio Rodrigues de Moraes, Paulo Henrique de Faria e Mario David Distefano Fleitas. Todos estão presos preventivamente desde a operação da Polícia Federal, deflagrada em maio do ano passado.
Conforme despacho da juíza Franscielle Martins Gomes Medeiros, da 5ª Vara Federal de Campo Grande, a denúncia do MPF “traz argumentos razoáveis que denotam a existência material dos fatos narrados e, a priori , permitem atribuir a autoria delitiva a cada um dos acusados, em atendimento aos requisitos legais”.
“Nessa toada, não há que se falar em denúncia genérica na medida em que as condutas imputadas a cada réu foram adequadamente individualizadas, observada a ressalva acima, sendo certo que eventual lacuna haverá de ser interpretada favoravelmente aos acusados, mas no momento adequado”, pondera a magistrada.
“Vale dizer que a hipotética atipicidade das condutas de integrar organização criminosa e de lavagem de dinheiro, aventada especialmente pela defesa de Claudinei, no ID 348298037, assim como da vinculação dos réus às atividades ilícitas ou mesmo o alegado desconhecimento de que faziam parte de uma artimanha criminosa, são matérias atinentes ao mérito da ação penal e não conduzem à absolvição sumária”.
As audiências de instrução e julgamento estão marcadas para os dias 12, 13, 21, 28 e 31 de março. Nas duas primeiras datas serão ouvidas as testemunhas de acusação, nas seguintes, as de defesa; e nas duas últimas ocorrem as oitivas que faltarem e o interrogatório dos réus.
A decisão foi publicada no Diário Oficial Eletrônico da Justiça Federal desta segunda-feira (20), mas a defesa de Claudinei continua afirmando que a prisão dele foi “desnecessária” e “carece de um adequado aprofundamento das provas”.
A defesa também critica haver “verdadeiro linchamento virtual” com divulgação “genérica” pela imprensa sobre os denunciados e os crimes apontados. E que agora, com o início da fase de instrução do processo, é “prematura, precária, e superficial qualquer afirmação categórica de cometimento de ilícitos, permitindo ao réu o exercício do direito de defesa”.