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Abigeatários agem impunemente na divisa Paraguai-Brasil

Fronteira é campo aberto para atividade criminosa de abate de animais

16 de abril 2025 - 16h11 Por Redação Douranews
Abigeatários agem impunemente na divisa Paraguai-Brasil Animais são abatidos a tiros em fazendas da fronteira — InfoNews

A atividade criminosa de abigeatários armados tem se intensificado na região fronteiriça entre o Paraguai e o Brasil, especialmente na área do Pantanal sul-mato-grossense, gerando crescente preocupação entre produtores rurais e trabalhadores da região.

Segundo informações apuradas pela InfoNews Notícias, grupos de abigeatários fortemente armados com fuzis de uso restrito estão realizando incursões a partir do território paraguaio — especificamente das regiões de Vallemí e San Lázaro — navegando pelo rio Paraguai até alcançar fazendas brasileiras localizadas em Porto Murtinho, cidade que faz fronteira com Isla Margarita e Carmelo Peralta, no Paraguai.

Os criminosos abatem o gado a tiros, realizam o abate no próprio local e transportam a carne por via fluvial, aproveitando-se da falta de fiscalização rigorosa na região. Imagens mostram cenas chocantes de animais abatidos, incluindo vacas prenhes cujos fetos foram encontrados no mesmo local da matança.

Produtores rurais brasileiros e paraguaios denunciaram publicamente a impotência diante da situação. “Estamos vivendo como no velho oeste: nossos animais são roubados ou abatidos, e se falarmos, podemos pagar com a vida”, afirmou um pecuarista com décadas de atuação na região, que preferiu não se identificar por medo de represálias.

A situação atingiu níveis alarmantes. Pecuaristas relatam que diversos trabalhadores rurais pediram demissão com medo de se deparar com os abigeatários, que, segundo testemunhos, não hesitam em executar peões que cruzam seus caminhos durante as ações. Também há relatos de desaparecimento de pessoas ligadas às atividades no campo.

Diante do cenário, os produtores exigem uma resposta imediata das autoridades. Foi solicitada formalmente uma fiscalização mais rigorosa por parte da Prefeitura Naval Paraguaia nas águas do rio Paraguai, além da atuação da Polícia Nacional e do Ministério Público das regiões de Concepción e Alto Paraguai. Também se pede a abertura de um processo investigativo em conjunto com a Unidade Especializada no Combate a Crimes Transnacionais, considerando que o caso pode vir a afetar inclusive as relações diplomáticas entre Paraguai e Brasil.