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PCC se recicla, moderniza e entra no latifúndio

Facção criminosa agora 'investe' em propriedades rurais

28 de junho 2025 - 09h19 Por Redação Douranews
PCC se recicla, moderniza e entra no latifúndio Sob liderança de 'Marcola', PCC se especializa — Reprodução/AFP

A facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), que está espalhada em mais de 28 países pelo mundo, também é uma das maiores detentoras de propriedades rurais no Brasil. O grupo teria mais de 511 mil hectares de terras no país bloqueados pela Justiça. Conforme investigações, as fazendas seriam usadas para lavagem de dinheiro e logística para o tráfico. Os bloqueios das terras são desde 2006.

A maioria das terras bloqueadas está em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará. Em 2008, foram bloqueadas 85 fazendas no Estado, que totalizaram 368 mil hectares. Já em Mato Grosso, uma única propriedade bloqueada tinha 140 mil hectares, conforme o site Compre Rural. 

O megatrficante Luiz Carlos da Rocha, conhecido como o ‘Cabeça Branca’, tinha 16 fazendas em Mato Grosso e no Pará, acumulando 40 mil hectares. Segundo a Polícia Federal e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do Ministério da Fazenda, o PCC movimenta entre R$ 2 bilhões e R$ 4 bilhões por ano. 

Pelo mundo 

Conforme mapeamento feito pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo), integrantes da facção estão presentes em ao menos 28 países. O documento detalhou como o grupo se infiltrou em prisões estrangeiras para fortalecer a rede do tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro, além de recrutar novos integrantes.

Na América do Sul, o relatório aponta que o PCC tem membros em todos os países, da Argentina a Venezuela, mas com maior número de membros no Paraguai, onde foram catalogados 699 faccionados — 341 presos e 353 em liberdade.

Já na América do Norte, a facção está presente no México, com três membros, e nos Estados Unidos, com 15, sendo dois dentro do sistema prisional. Na Europa, o PCC está em países como Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Itália, Irlanda e Portugal, onde há maior concentração de membros do grupo criminoso — 29 presos e 58 em liberdade.

Em Mato Grosso do Sul

Reportagem da jornalista Thatiana Melo, no site midiamax, mostra que o PCC é uma facção criminosa que nasceu e cresceu dentro dos presídios, no interior de São Paulo, e depois se expandiu. Nos dias atuais, é ‘dona’ da rota do tráfico de drogas que abastece boa parte do Brasil e exporta para a Europa, a partir de Mato Grosso do Sul.

Foi em MS que começou a expansão da facção, na década de 1990, quando São Paulo tentava isolar lideranças e, sem avisar, trocou presos considerados ‘problemas’ naquele Estado pelos dois líderes da facção que se tornaria uma das maiores da atualidade: César Augusto, conhecido como ‘Cezinha’, veio para Mato Grosso do Sul; e José Márcio Felício, conhecido como ‘Geleião’, foi levado para o Paraná.

O Governo do Estado, na época, não tinha ideia de que ‘Cezinha’ era líder de uma facção criminosa. “Carismático, tinha facilidade de comunicação. Ele fazia discursos para a massa carcerária”, comentou o promotor de Justiça do Estado de São Paulo, Márcio Sérgio, autor do livro “Laços de Sangue – A História Secreta do PCC”, em entrevista para o jornal.

Sem restrição alguma dentro da penitenciária sul-mato-grossense, já que ‘Cezinha’ era visto como um preso comum, ele passou a reproduzir no presídio do Estado o mesmo que era feito no interior paulista, segundo Márcio Sérgio, um 'especialista em PCC'. 

'Modernização' 

Ele diz que a facção se especializou e modernizou, criando um organograma, com subdivisões e tarefas específicas. Toda esta ‘modernização’ veio depois que Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como ‘Marcola’, se tornou líder da facção e ter ficado preso por cerca de 1 ano com Maurício Hernandes, o ‘Capitão Ramiro’, militar treinado no Exército da Bulgária e 'estudioso' do crime organizado.

Foi o ‘Capitão Ramiro’, um dos mentores do sequestro do publicitário Washington Olivetto, que ficou 53 dias em cativeiro, entre 2001 e 2002 em São Paulo, que orientou ‘Marcola’ a implementar novas diretrizes no PCC, , até com ‘planos de carreira’ no submundo do crime.

A facção é do tráfico de drogas, como diz Márcio Sérgio. “Ninguém trafica sem o PCC permitir, porque vai ser eliminado pela facção’, observa o promotor. 

“O PCC exerce a tirania e, se você não se submete, ele [facção] te mata. Exerce poder de vida e morte”, fala o promotor paulista.

Em Mato Grosso do Sul, a facção é dominante e detém a rota da Bolívia, de onde sai a cocaína para o resto do país e para a Europa.

Segundo o promotor paulista, a rota da Bolívia é uma das mais importantes para a facção, que tentou ‘tomar’ do CV (Comando Vermelho) a rota dos Solimões, no norte do país, mas não conseguiu. “Eles querem o monopólio”, disse Márcio Sérgio.