Vice Barbosinha representou o Governo no evento — Divulgação
Mato Grosso do Sul sediou o Intercâmbio Brasil–Itália de Treinamento sobre Inteligência Penitenciária e Segurança Dinâmica, um dos mais relevantes encontros internacionais voltados ao fortalecimento da segurança pública e penitenciária. Reunindo especialistas dos dois países, a iniciativa coloca o estado no centro das discussões estratégicas que visam aprimorar a inteligência, qualificar protocolos e ampliar a cooperação no enfrentamento ao crime organizado.
A ação, promovida pelo Governo do Estado, por meio da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), em parceria com o UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime), contou com o apoio de diversas instituições. Em um cenário em que a atuação integrada se torna indispensável, o intercâmbio representa um avanço significativo para o sistema prisional, promovendo a troca de experiências e o desenvolvimento de práticas modernas de segurança.
Guardião da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional e das Regras de Mandela, o UNODC desenvolve no Brasil programas voltados à justiça criminal e melhoria dos sistemas prisionais. Para as discussões, Mato Grosso do Sul foi escolhido pela posição estratégica de fronteira, além do trabalho que vem desenvolvendo na área de inteligência penitenciária, e São Paulo, pela experiência em gestão de presos de alta periculosidade, representando estados-chave nessa articulação internacional.
Prestigiando o evento de abertura nesta semana, o vice-governador de Mato Grosso do Sul, José Carlos Barbosa, falou sobre a importância do intercâmbio. Segundo ele, a experiência italiana oferece contribuições valiosas para o enfrentamento ao crime organizado, especialmente em um estado com mais de 1.600 km de fronteira e forte pressão do tráfico internacional de drogas. Barbosinha enfatizou a relevância da inteligência penitenciária e defendeu maior participação da União no custeio dos presos oriundos do tráfico.
A diretora do Escritório de Relações Internacionais do Departamento de Administração Penitenciária da Itália, Francesca Gioieni, reforçou a importância da cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado. “Os desafios são globais, e a criminalidade se movimenta mais rápido do que as instituições”, disse, destacando que iniciativas como o intercâmbio são fundamentais para alinhar estratégias e fortalecer a atuação conjunta.
Gioieni também ressaltou a expressiva bagagem técnica da delegação italiana — que reúne “76 anos de experiência no sistema prisional” — e enfatizou que esse conhecimento só se torna mais eficiente quando é compartilhado. “Somos instituições que aprendem diariamente, mas é o compartilhamento que faz nossas organizações crescerem e se fortalecerem”, afirmou.