'Tribunal do crime' é condenado pela morte de 'Tana' — Reprodução
Com penas que, somadas, ultrapassam 120 anos, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) obteve, nesta semana, por intermédio da 14ª Promotoria de Justiça de Dourados, a condenação de cinco réus envolvidos em crimes de homicídio qualificado e de integrar organização criminosa armada. O delito, praticado em 2022, foi motivado por disputas territoriais e vingança entre facções rivais.
Segundo a denúncia, a vítima - o ex-presidiário Anderson Barbosa Martins, de 43 anos, conhecido como “Tana” e apontado como suposto integrante do Comando Vermelho, teve morte decretada pelo “Tribunal do Crime” de uma facção criminosa, como represália ao assassinato de um integrante de grupo rival.
Conforme a acusação, a execução foi determinada do interior do Estabelecimento Penal “Jair Ferreira de Carvalho”, a Máxima de Campo Grande, pelo preso identificado como “Rian”, um dos líderes estaduais do PCC, o Primeiro Comando da Capital, facção criminosa de origem paulista.
As investigações mostraram que o grupo se organizou entre funções de planejamento, obtenção e ocultação de armas, condução do veículo utilizado na ação e a execução direta dos disparos. A vítima foi surpreendida na frente da própria residência e alvejada por diversos disparos.
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença acolheu as teses sustentadas pelo MPMS, condenando os acusados por homicídio praticado por motivo torpe e em atividade típica de grupo de extermínio. Além do crime contra a vida, os réus também foram sentenciados por integrarem organização criminosa, com aumento de pena pela participação de adolescente e uso de armas de fogo. Uma das rés foi condenada, ainda, por posse irregular de arma de fogo.
Dois dos réus, apontados como responsáveis pela logística e pela ocultação do armamento, foram condenados a 27 anos, 5 meses e 3 dias de reclusão e 26 anos, 11 meses e 15 dias de reclusão, respectivamente. Os outros três réus, incluindo os executores diretos e a responsável pelo planejamento intelectual, foram condenados a 22 anos, 4 meses e 15 dias de reclusão, cada um.
Confronto de facções
Conforme relembrou o caso o porta CampoGrandeNews, “Tana” virou alvo após ser suspeito de envolvimento no assassinato de Edson de Souza Alencar, o “Edinho Cadeirante”, uma das principais lideranças do PCC em Dourados, executado na madrugada de 10 de julho de 2022 com 28 tiros de pistola 9 milímetros disparados por dois pistoleiros de moto, quando estava em frente a um bar localizado na avenida Hayel Bon Faker.
Somadas, as condenações totalizam 121 anos, 6 meses e 3 dias de reclusão, todos a serem cumpridos em regime fechado.