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Megaoperação

Grupo criminoso investigado por mais de R$ 40 milhões

Bens imóveis aprendidos com mandados em Dourados e outras cidades

18 março 2026 - 07h24Por Redação Douranews

Receita Federal e PF deflagram operação para repressão a organização criminosa que recrutava agentes de segurança pública para a prática de contrabando, descaminho, lavagem de capitais e outros crimes

Na manhã desta quarta-feira (18), a

A Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram na manhã desta quarta-feira (18), por intermédio da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Mato Grosso do Sul (a DeleFaz/MS), a Operação Iscariotes, com o objetivo de reprimir a atuação de organização criminosa investigada pela prática de crimes de contrabando, descaminho, lavagem de capitais, corrupção passiva, violação de sigilo, e outros ilícitos relacionados ao sistema financeiro nacional.

A operação decorre de investigação de longo curso, que revelou a atuação estruturada de um grupo criminoso especializado na importação fraudulenta de grande quantidade de eletrônicos de alto valor agregado, desacompanhados de documentação fiscal e sem a devida regularização perante os órgãos de controle aduaneiro.

Já foram cumpridas cerca de 90 ordens judiciais, com a mobilização de mais de 200 policiais e 40 servidores da Receita Federal, nas cidades de Campo Grande e Dourados e ainda nas cidades mineiras de Belo Horizonte, Vespasiano e Montes Claros.

De acordo com as investigações, após o ingresso irregular no país os produtos eram distribuídos em Campo Grande e em outras unidades da Federação, especialmente no Estado de Minas Gerais, muitas vezes de maneira fracionada em meio a cargas lícitas. 

As apurações demonstraram que o grupo utilizava veículos adaptados com compartimentos ocultos para viabilizar o transporte e a distribuição das mercadorias ilícitas. Também foram identificadas diversas condutas voltadas à ocultação e à dissimulação da origem criminosa dos valores auferidos com a atividade ilegal.

Segundo as investigações, a organização criminosa contava ainda com a participação de agentes vinculados a órgãos de segurança pública (aposentados e da ativa), que atuavam desde o fornecimento e monitoramento indevido de informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais até o transporte físico das mercadorias, com aparente utilização da função pública para favorecer a atuação do grupo.

No curso da investigação, foram realizados diversos flagrantes, inclusive envolvendo a atuação direta de policiais. Após representação da autoridade policial, com manifestação favorável do Ministério Público Federal, a Justiça Federal expediu as seguintes medidas cautelares:
a)    31 mandados de busca e apreensão;
b)    04 mandados de prisão preventiva;
c)    01 mandado de monitoração eletrônica;
d)    02 afastamentos de funções públicas;
e)    06 Suspensões de porte/posse de arma de fogo;
f)    Indisponibilidade de bens de 12 Pessoas Físicas e Jurídicas (40 milhões de reais), incluindo:
1.    Sequestro de ao menos 10 imóveis;
2.    Sequestro e apreensão de ao menos 12 veículos;
3.    Suspensão das atividades de 06 pessoas jurídicas.

A operação contou, ainda, com o apoio das corregedorias da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul, da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul e do Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul.

As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros eventuais envolvidos e aprofundar a apuração dos fatos.

A operação

O nome "Operação Iscariotes" remete à ideia de traição e quebra de confiança, em referência à suposta cooptação de agentes públicos para favorecer a atuação da organização criminosa investigada. 

A denominação simboliza, assim, o desvio de lealdade funcional e o uso indevido da função pública em benefício de atividades ilícitas.