O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) distribui hoje (16), na Câmara, uma tabela que compara o impacto das propostas de reajuste do salário mínimo ao dinheiro gasto pelo país com o pagamento da dívida pública. Enquanto isso, no plenário da Casa, deputados ainda discutem de quanto será o reajuste (votação e estabelecimento do novo valor estão previstos para hoje à noite).
Segundo levantamento do PSOL, a proposta do governo (aumento dos atuais R$ 510 para R$ 545) tem impacto anual de R$ 1,43 bilhão para o governo equivalente ao valor da dívida pago a cada 1,37 dia. Já a proposta das centrais sindicais e do DEM (aumento para R$ 560) tem impacto de R$ 5,72 bilhões anuais e equivale a 5,5 dias de pagamento da dívida.
O quadro mostra que, caso o mínimo fosse reajustado em 62%, como aconteceu com o salário dos deputados, o novo valor do salário básico seria R$ 826 (o dos congressistas foi de R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil). Nesse caso, a estimativa é que o impacto para o governo fosse de R$ 81,796 bilhões equivalente a 78,6 dias de pagamento da dívida.
O PSOL, por sua vez, apresentou uma emenda (alteração) ao projeto de lei do governo que propõe o mínimo em R$ 545 querendo elevá-lo para R$ 700. O custo anual desse valor seria de R$ 45,76 bilhões o mesmo que 44 dias de pagamento da dívida.
Para apresentar uma emenda ao projeto de lei, é preciso recolher assinaturas de um quinto dos 513 deputados. Isso o PSOL conseguiu para sua emenda de R$ 700 – assim como o DEM e o PDT para a de R$ 560 e o PSDB para a R$ 600. No entanto, os R$ 560 e os R$ 600 têm poucas chances de serem aprovados. Os R$ 700, menos ainda.