O jornal afirma que dados da Receita Federal indicam que as empresas em nome dos cinco ministros estão ativas na área de consultoria. Depois da revelação do jornal Folha de S. Paulo de que ele comprou imóveis no valor de mais de R$ 7 milhões entre 2006 e 2010 - período em que Palocci foi deputado federal, a Comissão de Ética Pública declarou que não investigaria o ministro-chefe da Casa Civil porque o assunto se relaciona com sua vida fora do Palácio do Planalto. Antes de se tornar o homem mais poderoso do governo Dilma, ele mudou a atividade de sua consultoria para administradora de imóveis.
Antigo amigo de Dilma, Pimentel tem 99% da P21-Consultoria e Projetos Ltda., de acordo com o jornal. Cardozo, um dos principais assessores da presidente durante a campanha que a elegeu, tem 50% da Martins Cardozo Consultores S/S Ltda. O secretário de Portos, Leônidas Cristino, é sócio da Ejos Construções e Consultoria. O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, possui a Manoa Empreendimentos e Serviços Ltda. Por sua vez, Wellington Moreira Franco, secretário de Assuntos Estratégicos, é dono da Aptus Consultoria e Participações.
Explicação e oposição
Na terça-feira (17), a Casa Civil enviou e-mails a senadores para explicar o vertiginoso aumento do patrimônio de Palocci. O ministro se comparou a ex-membros da administração pública, como os ex-presidentes do Banco Central e BNDES Pérsio Arida e André Lara Resende, diretores de instituições financeiras, como o ex-ministro Pedro Malan, ou consultores de prestígio como o ex-ministro Maílson da Nóbrega.
"Não há nenhuma vedação que parlamentares exerçam atividade empresarial, como atesta a grande presença de advogados, pecuaristas e industriais no Congresso. Levantamento recente mostrou que 273 deputados federais e senadores da atual legislatura são sócios de estabelecimentos comercial, industrial, de prestação de serviços ou atividade rural", diz a nota da pasta que articula os demais ministérios e que catapultou Dilma para a Presidência.
Partidos de oposição pediram investigações. Também na quarta-feira, o PSDB foi ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), ligado ao Ministério da Fazenda, para pedir explicações. O líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), pediu que Palocci seja ouvido no Conselho de Ética da Casa. Já o PPS foi à Procuradoria-Geral da República para solicitar um inquérito sobre o avanço do patrimônio do ministro-chefe da Casa Civil.