Especula-se sobre as razões do silêncio presidencial. Uma delas seria a simples inércia: a expectativa de que a crise se dissipe por falta de fôlego. Outra: Dilma estaria calculando o risco de sair em defesa de Palocci e atrair para si o problema. A terceira: prudência. Em casos como esse, manda a cautela manter a figura presidencial distante da contaminação e do desgaste.
Outro silêncio intrigante é o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sempre ágil em sair em defesa dos seus. Há rumores sobre um certo carro prata, de vidros escuros, que entrou discretamente no Palácio da Alvorada duas vezes nos últimos dias. Comenta-se que Lula esteve com Dilma. Se o encontro de fato aconteceu, dificilmente ele será confirmado, justamente para evitar a ideia de interferência do ex-presidente, como uma espécie de tutor de Dilma - não ficaria nada bem! Do mesmo modo, é completamente improvável que Lula não esteja auxiliando o governo e o ministro a saírem da crise.
Nesta semana, a presidente Dilma retomará a agenda de trabalho, já recuperada da pneumonia, e terá eventos e aparições públicas. Uma das intenções é combater a impressão de lentidão e até imobilismo que o governo acabou passando durante o período de convalescença de Dilma. Mas a presidente estará acuada e arredia enquanto o caso Palocci dominar a pauta política.