Do ponto de vista político, a semana passada foi o pior período do governo de cinco meses de Dilma Rousseff, na avaliação de um auxiliar próximo da presidente, que falou com a Reuters sob a condição de anonimato.
Dilma está se reaproximando do vice, depois de ele ter discutido com ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, durante um telefonema. Seguindo orientações da presidente, Palocci pressionou Temer para que o PMDB não se colocasse contra o governo na votação do Código Florestal na Câmara.
Em um encontro na Base Aérea de Brasília nesta segunda, antes de partir para o Uruguai, Dilma pediu a Temer, em sinal de confiança, que coordenasse uma reunião sobre conflitos fundiários na Região Norte, tema que antes estaria sob o comando do ministro da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho.
Nessa reunião, Temer comentou com os ministros presentes que o governo está pacificado e que a ríspida discussão com Palocci é "assunto do passado" e que "nem é mais assunto", segundo relato de um membro do governo que participou do encontro, mas não quis ter seu nome revelado.
O roteiro da pacificação interna do governo e da relação com o Congresso fez com que a presidente começasse a incluir na sua agenda reuniões com os aliados do Congresso. Nesses encontros, ela buscará se aproximar dos congressistas, como aconselhou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e vai negociar diretamente a mudança do texto do Código Florestal aprovado na Câmara que a desagradou e agora será analisada no Senado.
Na quarta-feira, por exemplo, a presidente se reunirá com os senadores peemedebistas, assim como fez com os petistas na última quinta. Antes, porém, os senadores do PMDB reúnem-se com Temer, no Palácio do Jaburu.