O governo temia que até nove peemedebistas do Senado apoiassem o pedido de investigação. A oposição tenta obter apoio de alguns parlamentares da base governista para conseguir o número de assinaturas suficiente para criar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista.
Durante um jantar na segunda-feira, Temer aconselhou os peemedebistas a esperar uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre as explicações prestadas pelo ministro. Palocci tem sido alvo de pedidos de investigação por parte da oposição depois de divulgada informação sobre um aumento em 20 vezes de seu patrimônio desde 2006.
Com isso, o governo ganha tempo para se rearticular politicamente e diminui a pressão sobre o principal membro do gabinete da presidente Dilma Rousseff.
"Nós tínhamos alguns senadores que tinham a intenção de assinar, poderiam assinar essa CPI, mas ficou acordado que ninguém vai assinar essa CPI em função da espera das orientações do Ministério Público", disse o senador Eunício Oliveira (CE), ao término do jantar.
Segundo relato de uma testemunha desse jantar, que falou com a Reuters sob a condição de anonimato, os peemedebistas trataram pouco sobre a situação de Palocci dentro do governo ou sobre a discussão que ele teve com Temer por telefone, na véspera da votação do Código Florestal na Câmara.
Os senadores, no entanto, manifestaram solidariedade a Temer ao dizer que um ministro não pode desrespeitar o vice-presidente como aconteceu no episódio.
Os peemedebistas também avaliam que a articulação política do governo terá que passar por uma reavaliação, e que Temer se firma cada vez mais como uma ponte segura para a posição do partido dentro do governo. Contudo, não foi mencionada a necessidade de troca de peças do primeiro escalão.