Ex-integrante da tropa de choque do ex-presidente Fernando Collor de Mello, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, pivô do escândalo do mensalão que sacudiu o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que a presidente Dilma Rousseff é um "Collor de calças" ao comentar sua postura em relação ao Congresso. "A Dilma vai bem, mas precisa ser mais flexível, mais política. Dilma está mais para um Collor de calças. Sabe aquela fase do Collor em 1992, com o Congresso Nacional? Ela está impetuosa, e isso não dá certo", considerou o ex-deputado, em entrevista concedida na segunda-feira à noite.
"Ela (Dilma) tem de gastar língua, ser flexível, ter habilidade política, ser habilidosa. Não basta dar murro na mesa", aconselha. Jefferson também considera que a multiplicação exponencial do patrimônio do ministro chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, por meio de uma empresa de consultoria, não deve ser considerada um "crime". "Político quando abre consultoria fica rico mesmo", disse.
"O Palocci deve se explicar ao procurador-geral da República. Deve entregar a lista de clientes ao procurador. Não creio que ter uma consultoria seja desonesto. Não acho que foi uma trapalhada. Político quando abre consultoria fica rico mesmo. É como se fosse a Elba Ramalho e Ivete Sangalo: abre empresa e as pessoas contratam por milhões. O Palocci não foi contratado porque era bonito. Ao contrário, é feio e barrigudo. Mas tem prestígio. Isso é que vale", disse o presidente nacional do PTB.
"Não há como olhar isso como um impedimento. Tentar criminalizar é uma forçação de barra. Não se deve dizer que ele é desonesto. Por isso, ele deve abrir a lista de empresas ao procurador-geral da República. Aprendi, pelo que passei, que não existe um tribunal político, mas um tribunal da opinião pública", disse.
Quanto à presença de Lula como mediador da crise no caso Palocci, Jefferson pergunta se Dilma é "tutelada". "A Dilma tem de superar isso. Superar o Lula nisso. Não pode permitir que ele seja o bombeiro do governo o tempo todo. Ela tem que ser capaz de resolver isso. Ela é tutelada? O Palocci não tem habilidade para superar isso não?". Citado no escândalo do mensalão, Jefferson teve o mandato cassado em outubro de 2005 e perdeu os direitos políticos por oito anos.
Entenda o caso
O ministro-chefe da Casa Civil entregou na sexta-feira à Procuradoria-Geral da República suas explicações sobre a multiplicação do seu patrimônio nos últimos anos. No período, o ministro comprou um apartamento de R$ 6,6 milhões e um escritório de R$ 882 mil.
Antes mesmo de a Procuradoria-Geral da República se manifestar, o Ministério Público Federal em Brasília se antecipou e abriu investigação cível sobre o caso. O foco da ação é apurar se a evolução patrimonial do ministro é compatível com os ganhos de sua empresa.
Após a divulgação de seu enriquecimento, Palocci afirmou, em nota, que o crescimento está detalhado na declaração de Imposto de Renda e que a Projeto prestou serviços a clientes da iniciativa privada, "tendo recolhido sobre a remuneração todos os tributos devidos".