“Acompanhei com muito cuidado, cautela e prudência os últimos acontecimentos envolvendo o governo e, mais especificamente, a presidenta Dilma, que vem sofrendo ataques de gente interessada em criar uma crise a partir da desestabilização do ministro Palocci. Será que essas pessoas não têm o bom senso e a racionalidade para entender que isso afeta a própria presidenta Dilma e o pais ?”, questionou Delcídio. “Conheço a presidenta há quase vinte anos. Tenho a mesma origem dela, pois ambos viemos do setor de energia. Ela é uma pessoa determinada, faz as coisas de maneira clara, correta e sempre pensando no Brasil. Ela assumiu a presidência em janeiro. Portanto, nós estamos com pouco mais de cinco meses de governo, que já mostrou que está andando”, ponderou o senador.
Delcídio enumerou as conquistas da administração federal.
“As medidas que o governo adotou para conter a inflação estão dando certo. Os combustíveis eram os grandes vilões. Pois bem, entrou a safra de álcool e os preços estão começando a baixar. A inflação anualizada ainda é elevada porque em alguns meses do ano passado – junho, julho – a inflação foi zero. É claro que computando os últimos 12 meses ainda vai dar um valor alto. Mas o importante é que a inflação está em queda, e eu não tenho dúvida de que no primeiro quadrimestre do próximo ano nós vamos chegar ao centro da meta. A presidenta teve que tomar medidas duras, inclusive para garantir o crescimento do país na casa de 4% ou 4,5% ao ano, porque o compromisso nosso é garantir o desenvolvimento e a distribuição de renda do pais. Um prova disso é o recém lançado Brasil sem Miséria, um programa fundamental, cidadão”, elencou.
Delcídio lembrou também que o governo já começou a liberar recursos para os municípios.
“Muitos aqui fizeram campanha assumindo os compromissos de investimento dos municípios. É preciso destacar que o pais não vive só de PAC. Existe aquele Brasil do interior, do municípios menores, que precisam dos recursos viabilizados pelos parlamentares. E as liberações já começaram, primeiro das emendas de 2007 e 2008. Temos agora a discussão sobre 2009, que tem seu limite em 30 de junho. Portanto, o governo está fazendo a sua parte, apesar das dificuldades e das medidas que teve de tomar para fazer frente a esse momento diferenciado que o mundo enfrenta, especialmente no que se refere ao processo inflacionário”, relatou.
Sobre o preenchimento de cargos federais, o senador ponderou que o governo tem basicamente os mesmos partidos da coalizão que elegeu Dilma e apoiou o ex-presidente Lula.
“Não acredito que teremos grandes mudanças. A Eletrobrás passou por pequenos ajustes. Mudanças talvez na Chesf, Eletronorte, Petrobras e na BR Distribuidora. E os cargos nos estados? Nós vamos ter ajustes? Teremos. Mas nós não vamos virar o governo de cabeça para baixo, porque esse governo é uma consequência do que o ex-presidente Lula fez. Essa questão de cargos está sendo olhado com cuidado. E a presidenta Dilma tem preocupação com a meritocracia. Portanto, não entra qualquer pessoa num cargo federal porque ela quer saber quem é. Ninguém aqui está questionando indicação política, mas a indicação política tem que ser acompanhada de experiência, de competência. É isso que ela tem procurado fazer, escolhendo pessoas que executem um bom trabalho e que honrem o nosso governo. Portanto, esse é um quadro evolutivo e absolutamente natural. Temos que dar um tempo ao governo. São cinco meses de mandato da presidenta Dilma. Estamos entrando em junho, mas alguns querem fazer o pais acreditar que estamos em um governo com dois, três anos de idade. É preciso parar com isso e deixar a Dilma trabalhar”, pediu Delcídio.
Em relação as denúncias que envolvem o ministro Palocci, Delcídio acredita que é preciso aguardar o posicionamento da Procuradoria Geral da República.
“O ministro Palocci deu explicações sobre os contratos de consultoria assinados por sua empresa. Muitas pessoas estão questionando os argumentos e ele vai disponibilizar as informações necessárias para que o Procurador-Geral da República faça o seu juízo. O dr. Roberto Gurgel (Procurador da República) é um homem de bem, sério, isento , que conquistou o respeito dos seus pares pelo trabalho que fez. Portanto, não tenho dúvida de que a Procuradoria-Geral da República vai posicionar-se e, a partir daí, a decisão é da presidenta Dilma, porque a Casa Civil é um cargo muito delicado e sensível . E eu também não tenho duvida que ela tomará uma decisão muito equilibrada com relação a essa questão. Mas é preciso deixar claro que ninguém tem o direito de bombardear o ministro Palocci para desestabilizar o governo. Ao se desestabilizá-lo, estão prestando um desserviço não só ao governo mas a todo o Brasil”, destacou o senador.