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Na despedida do Senado, Gleisi afaga PMDB

08 de junho 2011 - 19h39 Por Redação Douranews, com Veja
Na despedida do Senado, Gleisi afaga PMDB
"A quem muito é dado, muito será cobrado". A frase, dita por Gleisi Hoffmann (PT- PR) em discurso de despedida no Senado na tarde desta quarta-feira, demonstra que ela tem consciência do papel que exercerá na Casa Civil e das exigências que lhe serão impostas pelos partidos da base aliada. A pressão mais forte virá do PMDB. Gleisi citou os embates que teve durante votações, mas evitou comentar o clima de tensão entre ela e o senadores peemedebistas, que marcou os quatro meses em que esteve na Casa.  "Sou de uma geração que cresceu com liberdade de pensar, de participar e de discordar e aqui no Senado me sinto à vontade para debater todos os assuntos em pauta”, afirmou.

Ironicamente, a nova ministra agradeceu em especial ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e ao líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR). Ambos tiveram situações de mal estar envolvendo a nova ministra. "Tenho muito respeito e consideração por Jucá, assim como ao PMDB", disse. A senadora também citou os oposicionistas, dizendo que foram duros no debate, mas ressaltando que a posição democrática sempre prevaleceu. Sobre a menção feita pela oposição, de que seria um "trator", Gleisi disse não acreditar que essa era a melhor metáfora para definir uma política que sempre se dispôs a debater e construir consensos.

Hoffmann também pediu apoio aos parlamentares e disse esperar uma convivência "respeitosa" entre eles. Alguns senadores aproveitaram para pedir que Gleisi os visite e tome o tradicional "cafézinho".

Discernimento - O discurso de Gleisi durou pouco mais de cinco minutos e foi recheado de poesias. Logo depois de sua fala, os senadores da base e da oposição fizeram fila para comentar. O senador Fernando Collor (PTB-AL), que foi um dos poucos citados por Gleisi, respondeu ao agrado. "Vossa Excelência tem capacidade de trabalho e discernimento", disse o ex-presidente. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi o primeiro oposicionista a falar: "Toda vez que um membro do Parlamento é convocado para ocupar cargo no Executivo há uma esperança entre nós. Vossa Excelência é preparada e competente". O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) tentou amenizar as críticas que havia feito. "Eu disse que Vossa Excelência é esquentadinha, como eu sou. Isso é qualidade, não é defeito". Jucá também preferiu ignorar as intrigas que teve com a senadora: “A presidente Dilma acertou ao colocar Vossa Excelência em um cargo tão importante. Essa nomeação orgulha a todos nós”.

Gleisi toma posse às 16h, em cerimônia no Palácio do Planalto.

A queda - A substituição de Palocci pela senadora foi anunciada no início da noite desta terça, logo após a demissão do homem forte do governo Dilma Rousseff.  Ocupante do posto mais importante da Esplanada dos Ministérios, o petista ficou em situação insustentável após as revelações de seu incrível salto patrimonial em poucos anos. O dinheiro vinha de trabalhos de consultoria feitos por Palocci enquanto era deputado federal. Depois de uma conversa com a presidente Dilma no Planalto, Gleisi aceitou o convite para assumir o cargo. A nova ministra tem pouco trânsito entre os senadores do PMDB.

A queda de Palocci começou a se desenhar quando veio à tona que o ministro da Casa Civil teve um um aumento de patrimônio de 25 vezes em quatro anos. O dinheiro vinha de trabalhos de consultoria feitos entre 2006 e 2010. Na época, ele era deputado, mas também sócio da empresa de consultoria Projeto. Reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelou que, em 2010, o ministro comprou um apartamento de 500 metros quadrados nos Jardins, bairro nobre de São Paulo, por 6,6 milhões de reais, e, no ano anterior, uma sala comercial na mesma região por 882.000 reais.

A evolução patrimonial não bate com os rendimentos de um deputado e revela que a consultoria era altamente rentável, o que levantou a suspeita de que Palocci aproveitava-se do trânsito no governo federal como ex-ministro da Fazenda para fazer tráfico de influencia.

A situação tornou-se insustentável quando reportagem de VEJA desta semana revelou que o apartamento onde mora a família de Palocci, em São Paulo, é alugado de uma empresa de fachada. O imóvel, de 640 metros, está avaliado em 4 milhões de reais. Os dois sócios da empresa proprietária do apartamento são Filipe dos Santos, de 17 anos, e Dayvini Nunes, de 23 anos, um representante comercial que ganha salário de 700 reais.

Dayvini admitiu em entrevista a VEJA ser laranja. “São coisas que envolvem pessoas com quem não tenho como brigar, como o Palocci, entendeu? Eu não tenho como bater de frente com essas pessoas. Sou laranja.” Gleisi toma posse hoje, em cerimônia marcada para 16h, no Palácio do Planalto.