Em Minas Gerais, a prática é comum. O atual prefeito de Pirapora (Norte de Minas), Warmillon Fonseca Braga (DEM) é um exemplo. Ele completa, em 2012, 16 anos no cargo de prefeito (oito anos em Lagoa dos Patos e outros oito em Pirapora). Pirapora, cidade natal de Braga, fica a 100 quilômetros de distância de Lagoa dos Patos.
O prefeito de Pirapora, claro, é contra a proibição de mudança do domicílio eleitoral. “Se o cara é bom gestor, ou que seja mal gestor, a população é que tem que avaliar. Quem tem que referendar é o eleitor”, diz ele. Aos 44 anos de idade, Braga tem orgulho de se dizer o único prefeito de Minas Gerais com atuação ininterrupta de 16 anos. Ele conta que a "família sempre mexeu com política" e, por causa disso, ele também se envolveu. Uma irmã é vereadora há 29 anos em Lagoa dos Patos, mas pelo PDT, lembra. “Quando fui prefeito em Lagoa dos Patos a minha irmã foi a presidente da Câmara de Vereadores”, lembra ele.
Sobre a idéia de concorrer à prefeitura de Pirapora, em 2004, ele diz que a idéia partiu de um convite de políticos de Pirapora. “Saí de Lagoa dos Patos, cidade com 5 mil habitantes, e fui para Pirapora, de 60 mil. Como fiz uma boa gestão em Lagoa dos Patos, fui chamado para disputar em Pirapora.” Questionado se pretende novamente mudar o domicílio eleitoral para continuar a ser prefeito, caso não haja impedimento legal, Braga disse pensar em uma disputa pelo legislativo. “O que eu pedi a Deus, Ele me deu. Na verdade Ele me deu mais do que mereço. Sou o único de Minas Gerais que tem 16 anos de mandato. Pode ser que eu tente ser deputado federal ou estadual”.
Distante 140 quilômetros de Pirapora fica a cidade de São João da Lagoa, também no Norte de Minas. Foi lá que o ex-prefeito Ronaldo Mota Dias (PR) começou sua carreira política. Após dois anos de mandato, Dias resolveu disputar a eleição de prefeito na vizinha Coração de Jesus. “São João da Lagoa era distrito de Coração de Jesus em 1995. Eu fui prefeito de São João da Lagoa entre 1997 e 2004 e de Coração de Jesus de 2005 a 2009. Tentei reeleição, mas perdi. Se você não comprar a eleição, não ganha. Eu consegui ganhar sem comprar”, diz.
Dias afirmou ao iG que nunca empregou parentes e que entrou para a política para buscar melhorias no escoamento de produção agrícola. Ele também disse ser contra o projeto em tramitação no Senado, que proíbe a mudança de domicílio eleitoral para coibir a atuação dos chamados “prefeitos itinerantes”. “Penso que se o Brasil tivesse Justiça no sentido amplo e irrestrito da palavra, temos de ter o direito de ir e vir. Acho que na política também tinha que ter o direito de ir e vir. Sou favorável à reeleição em todos os níveis, por tempo determinado. Cabe à justiça coibir abusos, aí o cidadão ia votar livremente. Muitas vezes o bom deixa de ser prefeito porque não pode, a lei proíbe”.