O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), defendeu nesta terça-feira a permanência do ministro Alfredo Nascimento (Transportes) no cargo. Apesar de classificar as denúncias contra o ministro de "muito graves", Sarney disse que Nascimento não pode ser exonerado "apenas por uma acusação publicada".
"Acho que a presidente [Dilma Rousseff] tomou medidas imediatas que foram muito saneadoras e, em seguida, entregou ao ministro a condução da apuração dessas irregularidades todas", afirmou.
Sarney disse que o Congresso cumpre o seu "papel fiscalizador" ao cobrar explicações de Nascimento, que se colocou à disposição do Legislativo para falar sobre as denúncias. "O que eu tenho conhecimento ele se propôs a vir ao Congresso e dar todas as explicações necessárias ao Congresso. É isso que nós esperamos."
As suspeitas de corrupção no Ministério dos Transportes, no Dnit e na Valec incluem um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina que beneficiaria o PR. O partido controla a pasta desde o governo Lula e é um dos principais aliados do governo.
No sábado, com a divulgação das denúncias pela revista "Veja", quatro integrantes da cúpula do ministério foram afastados por determinação de Dilma. Apesar das acusações, a presidente decidiu manter Nascimento no cargo. O ministro anunciou ontem a abertura de sindicância interna na pasta para apurar as irregularidades e prometeu prestar esclarecimentos à Câmara e ao Senado sobre o caso.