"Enquanto houver folga na base, não vejo muitos riscos", diz o presidente interino do PMDB, senador Valdir Raupp (RO). Contudo, a recente decisão do afastamento da cúpula do Ministério dos Transportes e a saída do ministro deixaram os aliados dos partidos menores da coalizão em alerta.
Os parlamentares ficaram em dúvida sobre qual será a reação da presidente quando tiver que afastar membros do governo. Não sabem se ela agirá rápido, como fez no caso dos Transportes, comandado pelo PR, ou moverá os aliados para defender o ministro em questão, como fez no caso do ex-ministro da Casa Civil, o petista Antonio Palocci.
Deputados do PR, que falaram à Reuters sob a condição de anonimato, ficaram com a impressão que Dilma terá uma postura quando o alvo de denúncias for do PT e outra quando for dos quadros dos partidos aliados.
Um senador, líder de um partido aliado, disse que a "sensação da base" é que Dilma terá duas réguas para medir deslizes. "A presidente deixou o ministro numa situação insustentável", reclamou o parlamentar pedindo para não ter seu nome revelado.
Raupp discorda. "Eu acho que cada caso é um caso. No caso do Palocci não tinha problema com dinheiro público. No caso dos Transportes era outro tipo de denúncia", argumentou.
Para o líder dos peemedebistas no Senado, Renan Calheiros (AL), "essas crises (saídas de ministros) precisam ser discutidas melhor (com a base)".