Deputado se reúne com assessor do ministro da Saúde para pedir que vício seja tratado como epidemia
O deputado federal Marçal Filho (PMDB) se reuniu anteontem com o assessor especial do Ministério da Saúde, Edson Pereira de Oliveira, para discutir formas de tratar o crack como uma verdadeira epidemia, direcionando, dessa forma, assistência diferenciada às pessoas que acabam seduzidas pelo vício. “O Brasil tem hoje mais de um milhão de pessoas com dependência do crack, mas esse número deve ser três ou quatro vezes maior porque a grande maioria dos usuários não é identificada pelo sistema de saúde, portanto já vivemos uma epidemia”, enfatiza Marçal Filho. “É por isso, que batemos às portas do Ministério da Saúde defendendo uma classificação especial para esse problema que atinge cada vez mais famílias em todo o Brasil”, conclui o deputado.
Na audiência com Edson Pereira de Oliveira, o deputado, que é integrante da Frente Parlamentar de Combate ao Crack, recebeu a informação que num primeiro momento o governo federal investiu R$ 408 milhões nas ações do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, mas que um amplo programa está em curso. “Recebi do assessor do ministro Alexandre Padilha a informação que a presidente Dilma Rousseff vai anunciar nas próximas semanas uma série de ações contra esse mal, a começar pela criação de ambulatórios móveis que serão levados às regiões conhecidas como cracolândia para tratar os dependentes químicos”, explica Marçal Filho.
Ele se mostrou bastante preocupado com a proliferação do crack no Brasil. “Essa droga deixou de ser exclusiva das camadas mais pobres, está cada vez mais impregnada na nossa sociedade. Conhecida como a droga das grandes metrópoles, o crack já se alastrou e hoje faz parte do cotidiano das pequenas cidades brasileiras, desestruturando famílias inteiras de Norte a Sul do país”, ressaltou o deputado.
O deputado lembra que dados do Relatório Mundial sobre Drogas, elaborado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, apontam que as apreensões de crack triplicaram num intervalo de um ano no Brasil. “O crack virou a vedete dos traficantes e as autoridades governamentais não estão conseguindo barrar o avanço dessa droga sobre as famílias brasileiras, que além de violenta e barata chega a ser até cinco vezes, mais potente que a cocaína”, disse o deputado.
A luta do deputado em favor das vítimas dessa droga é antiga, com Marçal Filho sempre cobrando maior empenho dos organismos de segurança pública e de saúde contra o crack. “Fiquei satisfeito quando a presidente Dilma Rousseff disse que o governo federal iria declarar guerra ao crack, e estou ainda mais satisfeito ao saber que novas medidas estão sendo estudadas”, afirma.
Marçal também garantiu uma emenda parlamentar no valor de R$ 500 mil para a construção do Núcleo Jurídico da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems) de Dourados. O primeiro resultado prático dessa medida foi o fato de a universidade estadual ter colocado no ar o site do Centro Regional de Referência no Enfrentamento e Combate ao Crack e Outras Drogas. O projeto desenvolvido pela Uems recebeu credenciais do governo federal para atuar no enfrentamento às drogas em Mato Grosso do Sul e agora abriu as inscrições para os cursos de aperfeiçoamento no combate ao crack e outras drogas; para a atenção integral aos usuários e para a intervenção breve e aconselhamento motivacional.
O público-alvo dos cursos oferecidos pelo projeto da Uems são profissionais que de alguma forma já atuam no âmbito do enfrentamento, e que precisam de constante atualização e qualificação específica para melhorar o combate à realidade do crack em Mato Grosso do Sul.