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Política

Congresso retoma trabalhos com base aliada sob tensão

29 de julho 2011 - 20h00 Por Redação Douranews, com Reuters
Congresso retoma trabalhos com base aliada sob tensão
O retorno do Congresso aos trabalhos na próxima semana trará de volta ao centro das atenções políticas insatisfações de aliados do governo Dilma Rousseff, com a demora em nomeações, não liberação de emendas deste ano e falta de interlocução, que podem dificultar as ações do Executivo para o segundo semestre.

Haveria um "caldeirão" de descontentamentos em ebulição, nas palavras de um assessor do Palácio do Planalto, e as consequências disso ainda não são mensuráveis. A saída estaria atrelada à capacidade de articulação política do governo, para evitar que haja contaminação da pauta prioritária do Executivo.

É nesse quadro de insatisfações que a oposição aposta para conseguir, por exemplo, criar uma CPI e investigar o setor de transportes, alvo de denúncias. No Senado, um requerimento para abrir uma investigação já conta com 23 assinaturas e faltam apenas quatro para formalizar o pedido.

Até agora, seis senadores filiados a partidos da base aliada assinaram o requerimento do PSDB. O líder dos tucanos no Senado, Álvaro Dias (PR), aposta nos aliados descontentes para aprofundar a crise no setor.

"Não tenha dúvida que fogo amigo pode ajudar na instalação da CPI. Há insatisfação, porque nessa responsabilização (das denúncias) alguém fica com carga maior e pode não gostar da ideia", afirmou Dias.

Os aliados com maior grau de insatisfação são os filiados ao Partido da República (PR), alvo principal da devassa feita pela presidente na área de transportes. Denúncias sobre irregularidades no ministério deslancharam um processo de reestruturação, que levou à saída do ex-ministro Alfredo Nascimento, diretores e funcionários do setor.

Uma importante liderança da legenda disse à Reuters, sob a condição de anonimato, que há um sentimento generalizado na bancada de que nas futuras votações na Câmara e no Senado não haverá alinhamento automático à posição do governo, apesar do partido ter afirmado diversas vezes que não deixará a coalizão de Dilma.

Mas a insatisfação não está restrita no PR. Um grupo de deputados peemedebistas programa para a próxima semana uma reunião para discutir uma posição em relação a temas polêmicos como a regulamentação dos gastos com saúde pela Emenda 29, que pode engessar o Orçamento federal, ou a criação de um piso salarial para agentes de segurança.