O senador tucano Ataídes Oliveira (TO) retirou hoje (3) a sua assinatura do pedido de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Transportes, que havia dado ontem após a mobilização do senador Alvaro Dias (PSDB/PR), líder do partido no Senado. Com a desistência dele e do senador João Durval (PDT-BA), a comissão parlamentar de inquérito pode não sair do papel. Para a criação do grupo de trabalho no Senado é necessária a assinatura de um terço dos senadores, ou seja 27 membros. Devido às duas baixas, o apoiamento às investigações sobre corrupção e suspeitas de pagamento de propina a empreiteiras fica com apenas 25 assinaturas.
O líder do PSDB havia apresentado, ainda ontem (2), às 19 horas, à Mesa Diretora da Casa, o requerimento para a instalação da CPI dos Transportes, que buscaria investigar, em um prazo de 180 dias, denúncias envolvendo o setor de transportes, suspeitas de superfaturamento e pagamento de propina por meio de empreiteiras. Das 27 assinaturas necessárias para a criação do grupo de trabalho, onze haviam sido dadas por integrantes de partidos da base governista.
"Tem gente contrariada na base governista. A CPI é um movimento de chantagem. Que venha a CPI, foi a presidente Dilma quem começou a investigar. Essa CPI está vindo não para investigar, mas para constranger", criticou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).
Apesar do encaminhamento do pedido de instalação da CPI à Mesa, a tropa de choque do Palácio do Planalto tem até a meia-noite de hoje para convencer senadores que assinaram a retirarem seus apoiamentos ao grupo de investigação. Se consolidada, a CPI terá 13 titulares e sete suplentes para a realização dos trabalhos.