Oliveira é o primeiro suplente de João Ribeiro, que pertence ao PR, partido que ficou no foco de uma série de denúncias sobre desvio de dinheiro e cobrança de propina no Ministério dos Transportes e no Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit). As denúncias resultaram na saída de Alfredo Nascimento da pasta e na demissão de mais de 20 servidores.
Da lista de 27 nomes que assinaram o requerimento para criação da CPI, o senador governista João Durval já havia retirado o nome na noite de terça (2). Com a retirada da assinatura de Ataídes de Oliveira, o requerimento tem agora o apoio de 25 senadores e isso impede a criação da comissão, já que o mínimo é 27, de acordo com a Secretaria Geral.
O G1 procurou o senador Ataídes de Oliveira, mas o gabinete informou que ele e o chefe de gabinete estavam em uma comissão e os celulares não atendiam.
A assessoria de Álvaro Dias (PSDB-PR), líder do PSDB no Senado, disse que o senador foi informado sobre a retirada das assinaturas e que segue nesta quarta as conversas para obter mais duas assinaturas que possibilitem a criação da CPI.
De acordo com a assessoria do senador João Durval, que também retirou a assinatura, Durval assinou o pedido de criação da CPI "conscientemente", mas "pensou muito" e decidiu que, caso haja uma CPI, a "agenda positiva" de votações do Congresso no segundo semestre pode ser prejudicada
O requerimento que pede a criação da CPI foi encaminhado na terça à Mesa do Senado por Álvaro Dias. Não há prazo para que Dias apresente as duas assinaturas que faltam. Caso a oposição consiga dois novos nomes, o material será analisado pela Secretaria da Mesa e o pedido para a instalação da CPI precisa ser lido em plenário.
Depois de lido o pedido em plenário, os senadores têm até a meia-noite do dia da leitura para eventuais retiradas de assinaturas.
As assinaturas que faltavam para que o requerimento fosse protocolado foram recolhidas enquanto o ex-ministro dos Transportes, senador Alfredo Nascimento (PR-AM), discursava em plenário na tarde desta terça. No discurso, Nascimento disse que deixou o governo porque não teve apoio da presidente Dilma Rousseff após as denúncias e afirmou que seu partido não era "lixo".
A última assinatura coletada pela oposição foi do senador Reditário Cassol (PP-RO).