Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
14°C
Política

Do auge à cadeia: A trajetória e queda de Ari Artuzi em Dourados

01 de setembro 2011 - 12h35 Por Redação Douranews
Do auge à cadeia: A trajetória e queda de Ari Artuzi em Dourados

Nesta quinta-feira (1) a operação "Uragano" (furacão, em italiano) que prendeu mais de 50 pessoas envolvidas em um esquema de corrupção na gestão do ex-prefeito Ari Artuzi (sem partido) completa um ano. Na operação, desencadeada pela Polícia Federal na Prefeitura de Dourados, foram cumpridos 29 mandados de prisão temporária e 38 conduções coercitivas. De acordo com a PF, o prefeito do município, Ari Artuzi (eleito pelo PDT), chefiava uma quadrilha para a prática de fraude a licitações e corrupção ativa no Município.

Na ação foram presos secretários municipais e nove vereadores: Bonatto (PDT), Cimatti (PSB), Edvaldo Moreira (PDT), Marcelão (PR), Marcelo Barros (DEM), Paulo Henrique Bambu (DEM), Tio Julio (PRB), Zezinho da Farmácia (PSDB), o presidente da Câmara, Sidilei Alves (DEM), além do vice-prefeito Carlinhos Cantor (PR), que assumiria a prefeitura caso Artuzi perdesse o mandato.

A PF chegou às prisões através de gravações polêmicas feitas pelo então secretário de Governo e pupilo do ex-prefeito, Eleandro Passaia, que após ter sido beneficiado por uma delação premiada, capturou cenas onde ele próprio oferecia dinheiro para os vereadores em troca de apoio ao ex-chefe, até então considerado um fenômeno e compaerados várias vezes pelo então secretário ao ex-presidente Lula, pela origem humilde e a atenção que dispensava aos pobres.

Artuzi ficou preso por mais de três meses e enquanto esteve na cadeia ele chegou a assinar cheques para pagamento aos funcionários da Prefeitura de Dourados e algum tempo depois foi afastado do cargo pelo Tribunal de Justiça. Nesse período, dois prefeitos exerceram o mandato de forma interina – o juiz Eduardo Machado Rocha, que assumiu o na falta dos substitutos naturais do prefeito e Délia Godoy Razuk – que assumiu a presidência da Câmara de Vereadores e por conseqüência, a prefeitura.

No dia 1° de dezembro de 2010 o então prefeito e o vice Carlinhos Cantor renunciaram aos cargos, e no dia seguinte foram soltos após o TJMS revogar as prisões, incluindo a do presidente da Câmara quer já havia renunciado ao mandato ainda na cadeia, Sidlei Alves.

Após cinco meses à deriva, os moradores de Dourados voltaram às urnas no dia 6 de fevereiro deste ano em uma eleição onde Murilo Zauith, derrotado por Artuzi na eleição que o levou a prefeitura, venceu os candidatos Genival Valeretto, do PMN, José Araújo, do PSOL e Geraldo Sales, do PSDC, com pouco mais de 80% dos votos.

Revolta

Durante os meses de indefinição sobre a situação dos vereadores os cidadãos douradenses foram até a Cãmara em diversas sessões para protestar. A porta de vidro da Câmara de Vereadores foi arrebentada por indivíduos que foram proibidos de entrar no recinto que já estava lotado durante uma sessão presidida pelo ex-vereador Aurélio Bonatto, que havia deixado a prisão dias antes. Ele foi alvo de uma sapatada enquanto tentava abrir a sessão, após ter sido solto. No mesmo dia, ovos foram atirados contra o carro do ex-vereador Tio Julio Artuzi, também recém saído da cadeia.

Pressionados pela população, alguns vereadores renunciaram e outros foram cassados pelos vereadores Dirceu Longhi, do PT, Gino Ferreira, do DEM e Délia Razuk, do PMDB, e dos suplentes que assumiram os cargos devido às renúncias.

Trajetória

Artuzi foi eleito vereador no ano 2.000 pelo PSDB e dois anos depois foi para o PMN onde se elegeu deputado estadual. Em 2006, o ex-prefeito foi reeleito deputado estadual com mais de 30 mil votos. Depois de passar pelo PMDB Ari Artuzi se filiou ao PDT onde foi eleito prefeito de Dourados no dia 5 de outubro de 2008, com as bençãos do então deputado estadual Ary Rigo e o federal Dagoberto Nogueira, derrotando o então vice-governador, Murilo Zauith (DEM). 

Artuzi obteve 34.920 votos (42,38% dos válidos), Zauith conseguiu 32.068 votos (37,94%) e o professor Wilson Biasotto (PT) recebeu 17.553 (20,74% dos votos válidos).