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Onde estão e o que fazem os acusados de participar da operação “Uragano”, um ano depois

01 de setembro 2011 - 13h28 Por Redação Douranews
Onde estão e o que fazem os acusados de participar da operação “Uragano”, um ano depois

Ari Artuzi disfarçado de agropecuarista, Carlinhos Cantor afastado do pastorado na igreja Sara Nossa Terra e Sidlei Alves mantendo um pequeno comércio e tentando sair da vida pública. Essa é, em resumo, a condição atual dos três principais réus da operação “Uragano” (furacão, em italiano) que levou para a cadeia, além deles, há exatos 12 meses, outros nove vereadores e vários agentes públicos e empresários envolvidos em denúncias de corrupção contra o patrimônio público em Dourados.

No sitio, e reclamando que não pode nem cuidar direito do gado que “herdou” com a condição de ex-prefeito, Artuzi e a mulher Maria aguardam os desdobramentos da operação, confiantes que serão absolvidos. O ex-vice-prefeito, funcionário de carreira da Câmara de Vereadores, ainda não compareceu ao serviço desde que deixou a cadeia e Sidlei é visto com frequência, no escritório político do padrinho político dele, deputado estadual Zé Teixeira, hoje presidente estadual do DEM, o mesmo partido do ex-presidente da Câmara. Os três renunciaram ao mandato, abrindo o caminho legal para a realização de novas eleições à prefeitura de Dourados.

A operação “Uragano” foi desencadeada pela Polícia Federal, sob o comando do então delegado-chefe em Dourados, Braulio Cesar Galloni e as prisões dos 28 citados no inquérito foram determinadas pela juíza Dileta Terezinha Souza Thomaz, então titular da 1ª. Vara Criminal. O MPE (Ministério Público Estadual), através do então titular da Vara do Patrimônio Público, Paulo Cesar Zeni, indiciou todos como réus no processo. Veja aqui o que cada um faz atualmente, enquanto espera pelos próximos passos da Justiça:

Os ex-vereadores

Dentre os oito vereadores que foram pra cadeia no mesmo dia 1 de setembro de 2010, Aurélio Bonatto (renunciou ao mandato) hoje trabalha como entregador de mercadorias da empresa Brasil Logística; Edvaldo Moreira e José Carlos Cimatti (renunciaram ao mandato), servidores públicos concursados, reassumiram as funções na Prefeitura; Humberto Teixeira Junior (cassado) auxilia o pai no sitio que mantém na região de Vicentina; Zezinho da Farmácia (renunciou ao mandato), que já tinha se desfeito da farmácia que o ajudou a angariar votos, hoje atua no ramo de revenda de veículos com os irmãos; Julio Artuzi (cassado) retomou atividades na madeireira da família; Paulo Henrique Bambu (cassado) se transformou em vendedor de carros na concessionária Fiat, onde o pai dele é funcionários há várias décadas; Marcelo Barros (cassado) é servidor público estadual e também ameaçou abrir uma garagem de veículos, mas o negócio não prosperou; e Cláudio Marcelo Hall, o Marcelão (cassado), mantém-se no ramo de farmácias, atividade que já desenvolvia anteriormente.

Os ex-secretários

O casal Alziro Moreno e Tatiane Arnal Moreno, ele ex-Procurador Geral do Município e ela, ex-secretária de Administração, da estrita confiança do ex-prefeito, voltaram a atuar como advogados, e detém boa parte das demandas envolvendo Artuzi; Ignes Boschetti Medeiros, ex-secretária de Finanças, dedica-se aos negócios na área imobiliária e à família; e Dílson Cândido de Sá, ex-secretário de Obras e Planejamento, voltou a trabalhar na empresa de materiais de construção que já tinha antes de ocupar a função.

Os empreiteiros

Antonio Fernando Araújo Garcia (construtora Financial), Geraldo Alves Assis (construtora Planacon), Carlos Gilberto Recaldi (construtora CGR)e José Antonio Soares, o Zeca do MS (empreiteiro), continuam normalmente desempenhando as funções, dando sequência aos contratos que mantém com o Poder Público, inclusive em Dourados, e em municípios da região.

Os demais

José Roberto Barcelos Junior, ex-chefe do setor de Licitações, voltou para Itaporã, cidade onde reside, e dedica-se a atividades no ramo publicitário; João Kruger, ex-auditor da Prefeitura, retomou atividades na iniciativa privada; Helton Farias (também do setor de Licitações) e Thiago Vinicius Ribeiro, ex-assessor da Secretaria de Governo, permanecem no serviço público por força de concurso; Paulo Ferreira do Nascimento e Sidnei Donizete Lemes Herédia, os dois homens de confiança de Ari Artuzi, vivem de trabalhos autônomos com som e prestam lealdade ao ex-chefe; e Marco Aurelio Areias permanece na direção do Hospital Evangélico.

Os acusadores

Braulio Galloni foi transferido para uma das seções do Departamento de Polícia Federal em Campo Grande; a juíza Dileta Terezinha agora responde pela 7ª. Vara Cível, responsável por execuções fiscais e o titular da Vara do Patrimônio Público no MPE em Dourados é o promotor Luiz Gustavo Camacho [Zeni, segundo o portal do MPE na internet, responde pela Vara de proteção do meio ambiente, da habitação, urbanismo e patrimônio histórico e cultural].

Reportagem sugerida pelo internauta Eduardo da Rocha.