Documento revelado pelo WikiLeaks aponta ainda que Justiça brasileira era despreparada e disfuncional
Uma carta enviada pelo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, ao procurador-geral americano, Eric Holder, acusou a existência de corrupção “generalizada e persistente”, atingindo os três poderes máximos brasileiros.
O documento revelado pelo WikiLeaks servia de preparação para a visita do procurador ao Brasil, e fez um “Raio X” da Justiça brasileira, fazendo ainda a acusação que ela seria “despreparada” e “disfuncional”.
Essa não foi a primeira revelação do WikiLeaks sobre comentários do corpo diplomático americano sobre corrupção no Brasil. Outros documentos de 2004 e 2005 já revelavam a mesma preocupação e o mesmo risco quando surgiram os escândalos do “mensalão”, que poderiam acabar imobilizando o Governo.
De acordo com o embaixador Shannon, as forças de ordem também seriam prejudicadas pela “falta de treinamento, rivalidades burocráticas, corrupção em algumas agências e uma força policial muito pequena para cobrir um país com 200 milhões de habitantes”, deixando claro que, mesmo no último ano do Governo Lula, a percepção americana não havia sido modificada sobre a presença da corrupção na administração, e que este “fenômeno” não estaria limitado apenas aos Três Poderes.
Para o embaixador, “apesar de muitos juristas serem de alto nível, o sistema judiciário brasileiro é frequentemente descrito como sendo disfuncional, permeado por jurisdições que se acumulam, falta de treinamento, burocracia e atrasos”, acrescentando que “polícia, procuradores e juízes precisam de treinamento adicional”. Ele vai mais longe ao dizer que "procuradores e juízes, em especial, precisam de treinamento básico para ajudá-los a caminhar em direção a um sistema acusatório mais eficiente", completou, conforme informações do jornal “Estadão”.