Nos próximos dias, o deputado estadual Laerte Tetila (PT) encaminha sugestão de reforma agrária tecnológica para o Ministério do Desenvolvimento Agrário. A proposta de Tetila já foi apresentada aos demais deputados estaduais em sessão realizada no início do mês, durante pronunciamento da tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
O deputado Tetila, profundo conhecedor da questão agrária no Estado e professor aposentado de geografia da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), está idealizando um projeto de reforma agrária para o Brasil e que contemplaria os recém formados de cursos profissionalizantes e universitários. E ele quer que Brasília conheça a sua iniciativa.
“’É um desperdício muito grande os pais colocarem os seus filhos para estudarem agronomia, veterinária, técnicas agrícolas, zootecnica e tudo o mais nas universidades federais, estaduais, e, uma fez formados, que opção estes jovens terão no Brasil? A opção que eles têm é trabalhar em multinacionais para vender veneno, agrotóxico”, salienta o deputado Laerte Tetila.
Para evitar que isso continue a ocorrer, Tetila propõe que entre 5% e 10% das terras destinadas à reforma agrária, no país, sejam transferidas para os egressos de cursos profissionalizantes e das universidades.
“Muitos deles saem das escolas e não têm um palmo de terra para trabalhar. Possuem a formação acadêmica mas não têm o lote de terra. Por que não colocar essas pessoas juntamente com os assentados da reforma agrária tradicional para elevar o nível técnico e científico no trato da terra?,questiona Tetila.
A sua intenção com o projeto, segundo ele, é que as pessoas que detém o conhecimento técnico e científico possam transferir tecnologia e informação para os demais assentados e, assim, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade dos alimentos produzidos nos assentamentos.
Para tanto, o deputado propõe que nos assentamentos seja criado um centro de formação tecnológico para que, uma vez por semana, um dos egressos das universidades ou cursos técnicos repasse as informações que adquiriu nos bancos escolares para os demais companheiros assentados.
Isso, de acordo com o deputado Tetila, elevaria a qualidade dos produtos dos assentamentos. “Plantar banana todo mundo planta, mas qual o assentado humilde, que está no último grau de exclusão, que vai saber qual é a melhor banana? A Embrapa sabe. Desenvolvida com tecnologia, cachos enormes, uma massa espetacular e que alimenta. Poucos assentados têm essa informação”, salienta.
O deputado explica, ainda, nesta entrevista, que muitos agricultores desconhecem, inclusive, como realizar um financiamento agrícola, como o Pronaf, por exemplo. “Apenas 5% dos agricultores de Mato Grosso do Sul acessaram o Pronaf. Por que 95% não acessaram o crédito no último ano? Porque não têm o conhecimento técnico, não têm o conhecimento científico”, lamenta Tetila.
Durante o pronunciamento feito no início do mês na Assembleia Legislativa, Tetila disse, também, que atualmente as pessoas ingerem cerca de 5 a 6 litros de agrotóxicos por ano. Pela sua proposta de reforma agrária tecnológica, os egressos poderiam, inclusive, dedicar-se à agricultura orgânica, sem o uso de agrotóxicos.
“Precisamos tirar esses jovens da agricultura convencional para colocá-los, prioritariamente, na linha de produção de orgânicos, para que a gente possa ter um modelo de reforma agrária muito diferente desse que está aí”, salienta Tetila.
“Temos tudo para fazer a reforma agrária tão sonhada, que é a reforma agrária tecnológica, que é um grande passo no caminho da produção de alimentos para a nossa sociedade”, acredita o deputado Laerte Tetila.