Hoje faz 28 anos que o líder indígena Marçal de Souza, conhecido como Tupã-I, foi assassinado. Na Assembleia Legislativa, em Campo Grande, ocorreu, pela manhã, um ato público em protesto contra a impunidade deste e de outros assassinatos de índios registrados em Mato Grosso do Sul.
Em sua fala, o deputado estadual Laerte Tetila (PT) lembrou que Marçal de Souza era um intelectual, mesmo sem ter escrito um único livro. “Quando abria a boca, quando começava a falar, a fazer o seu discurso, ele mobilizava a plateia, não importava onde”, salientou Tetila. “E por onde passou, Campo Grande, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre ou Nova Iorque, Marçal mobilizou plateias”, assegurou o deputado.
“Não sou eu apenas quem atesta essa intelectualidade de Marçal, mas um grande intelectual brasileiro, o antropólogo Darcy Ribeiro”, frisou Tetila que, em 1988, cinco anos após a morte do líder indígena, escreveu um livro contando a trajetória do lider indígena. “No meu livro, eu mostro o lado meigo e sofrido do grande Marçal de Souza que eu conheci bem antes, no ano de 1968, quando cheguei a Dourados para lecionar na rede pública”, disse Tetila.
Marçal de Souza foi assassinado no dia 25 de novembro de 1983 na Aldeia Compestre Ypê, localizada no município de Antônio João, fronteira do Brasil com o Paraguai. Um fazendeiro, Líbero Monteiro de Lima, acusado de ser o mandante do crime, foi a dois julgamentos e absolvido nos dois. O capataz de Líbero, Rômulo Gamarra, chegou a ser preso, mas, devido a um habeas corpus, foi solto e fugiu. Nunca mais foi encontrado.
O Ministério Público chegou a apontar quatro pistoleiros como os executores do crime, mas nenhum deles também foi a julgamento.