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Política

Caixa de Pandora - Dois anos e nenhum resultado definitivo

27 de novembro 2011 - 16h17 Por Redação Douranews, com R7
Caixa de Pandora - Dois anos e nenhum resultado definitivo

A Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, que acabou com o Mensalão de DEM em Brasília e levou à prisão do ex-governador José Roberto Arruda completa dois anos neste domingo (27). A Justiça ainda não concluiu inquérito que pode apontar culpados.
O esquema de corrupção seria uma espécie de “pedágio” que Arruda cobrava de empresas interessadas em conseguir contratos com sua gestão. O dinheiro arrecadado, segundo o inquérito da Polícia Federal, era dividido entre ele, o vice-governador, Paulo Octávio, secretários e assessores.
O escândalo ficou conhecido como mensalão do DEM em alusão ao mensalão do governo federal, denunciado em 2005 pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Este esquema consistiria no pagamento de “mesadas” por parte do Executivo a parlamentares em troca de apoio político.
No DF, o governador pagava "mesada" a vários deputados distritais. Eles e outros empresários foram filmados recebendo dinheiro de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal, e delator do esquema.
Atualmente, Durval Barbosa está incluído no programa de proteção a testemunhas e quase não é visto em Brasília. Ele só aparece quando é chamado a prestar depoimentos sobre o caso. O ex-secretário responde a mais de 30 processos na Justiça. Arruda também quase não é visto. O ex-governador leva uma vida discreta, mas há quem diga que ainda pretende voltar à política.

Vídeos
Não se sabe ao certo quantos vídeos com políticos do Distrito Federal escondendo dinheiro em sacolas, meias e até cueca foram gravados por Durval Barbosa. Na época que a operação foi deflagrada vários deputados distritais foram mostrados recebendo dinheiro e deixaram a Câmara Legislativa do DF.
A ex-deputada distrital Eurides Brito (PMDB), filmada escondendo dinheiro na bolsa, foi cassada e afirmou, durante o processo de cassação, que “parlamentar receber o auxílio partidário na campanha é normal”.
Outro ex-distrital, Leonardo Prudente (DEM), ná época presidente da Casa, renunciou. Ele foi filmado recebendo seis maços de dinheiro e colocando dois nas meias. Em entrevista coletiva, Prudente disse que a doação não foi contabilizada.
“Eu recebi o dinheiro e coloquei o mesmo nas minhas vestimentas em função da minha segurança. Eu não uso pasta”.
Outro ex-deputado, Júnior Brunelli (PSC), aparece em dois vídeos de Durval. Em um deles, no qual está ao lado de Leonardo Prudente e Durval, ele comanda uma oração após receber o dinheiro. Brunelli pediu afastamento da Câmara Legislativa.
“Pai, eu quero te agradecer por estarmos aqui. Sabemos que nós somos falhos, somos imperfeitos. Somos gratos pela vida do Durval por ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para essa cidade, porque o Senhor contempla a questão no seu coração”.
De acordo com a operação da PF, o dinheiro que Arruda repassava a políticos vinha de empresas privadas que prestavam serviço ao governo do DF. As empresas pagavam "por fora" para garantir a os contratos e continuidade dos serviços. O ex-governador, por sua vez, pagava aos aliados e adversários políticos para garantir estabilidade no governo e aprovar os projetos que queria. Com o apoio político, facilitava os contratos e licitações das empregas que forneciam o dinheiro.
Documentos apreendidos
Durante a investigação, foram vasculhados escritórios e residências de secretários do governo, casas e gabinetes de deputados distritais, além de empresas prestadoras de serviço. Milhares de documentos foram retirados e anexados ao processo.
Entre a pilha de coisas recolhidas, estavam agendas com anotações de pagamentos a políticos, livro-caixa com a contabilidade que os investigadores suspeitam ser de propina, dossiês sobre corrupção em empresas públicas e secretarias, além de um mapa com loteamento político de mais de três mil cargos no governo do DF, remessas de dinheiro para o exterior e acertos para fraude em licitações públicas.
Outros envolvidos
A Operação Caixa de Pandora também relaciona ao suposto esquema de corrupção Leonardo Bandarra, ex-chefe do Ministério Público do DF, e da promotora Deborah Guerner, acusados de cobrar propina para vazar dados sigilosos.
Enquanto passavam por um processo de afastamento no Conselho Nacional do Ministério Público, eles se tornaram réus em ações penais que correm na Justiça Federal.
A deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) também foi filmada recebendo dinheiro e teve um vídeo divulgado este ano. Na gravação de Durval Barbosa ela recebe R$ 50 mil no escritório de Durval, acompanhada do marido, Manuel Neto.
Depois de divulgado a gravação, os deputados abriram um processo de cassação da deputada, mas ela conseguiu manter o mandato depois que os parlamentares disseram não à cassação em votação secreta no plenário da Casa.
Fase final
O Inquérito número 650, que investiga o esquema de pagamento de propina no governo do DF, ainda não indicou a responsabilidade de cada um dos envolvidos no processo, mas entrou na sua fase final.
A expectativa é que o texto esteja pronto até o final deste ano. Ao todo, o processo principal já tem cerca de 40 mil páginas, fora os apensos e os avulsos.
Até agora, só o ex-governador Arruda ficou algum tempo preso. Arruda foi preso no dia 11 de fevereiro de 2010 e ficou detido na Superintendência da PF por dois meses. Ele era acusado de tentar subornar o jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Edson Sombra. O jornalista é uma das principais testemunhas de suposto esquema de pagamento de propina dentro do governo do DF.
Depois da prisão de Arruda, o Distrito Federal passou por três governadores até as eleições de outubro de 2010: o ex-vice-governador, Paulo Octávio (sem partido), o ex-presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), e Rogério Rosso (PSD).
Rosso foi eleito por eleição indireta na Câmara depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu pela não intervenção no DF.
Novas denúncias
Em janeiro de 2011 o petista Agnelo Queiroz assumiu o governo do DF com a promessa de "Um Novo Caminho" para a cidade. Ao fim de quase um ano de mandato, o governador é investigado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) por suposto envolvimento em esquema de corrupção no Ministério dos Esportes e na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Agnelo foi ministro dos Esportes e diretor da Anvisa durante o governo Lula.
Recentemente, ele foi acusado de participar de cobrança de propina no ministério e de ter recebido dinheiro de um funcionário de laboratório para liberar certificados na Anvisa. O governador nega as acusações.