A Presidência da República divulgou nesta quinta-feira que a presidente Dilma Rousseff pediu, por meio da Casa Civil, maiores informações sobre o que levou a Comissão de Ética recomendar a exoneração do ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT). A presidente quer saber qual embasamento e quais informações que sustentam a indicação, acordada por unanimidade pela Comissão.
Dilma recebeu um ofício da Comissão informando sobre a recomendação. Lupi, que se reuniu com a presidente nesta manhã, afirmou que prestará explicações e que deve pedir a reconsideração da indicação em um prazo de dez dias. Além de apontar a demissão de Lupi, a comissão ainda aplicou uma advertência ao ministro. As informações são do
Segundo reportagem publicada pela revista Veja, dirigentes do PDT seriam responsáveis por um esquema de cobrança de propina de ONGs conveniadas com o Ministério do Trabalho. Após a publicação, assessores de Lupi foram demitidos. Outra denúncia é de que o ministro teria viajado ao Maranhão em um avião providenciado por Adair Meira, que controla entidades que têm contrato de cerca de R$ 14 milhões com a pasta. Em um primeiro momento, o ministro negou conhecer Meira, mas voltou atrás após a publicação de fotos em que aparecia ao lado do diretor.
De acordo com o presidente da Comissão de Ética da Presidência da República, Sepúlveda Pertence, não houve um fato específico que motivou a recomendação. Mas ele destacou que as explicações apresentadas pelo ministro sobre as denúncias não foram convincentes.
Reportagem divulgada nesta quinta-feira pelo jornal Folha de S.Paulo traz mais suspeitas de irregularidades envolvendo Lupi. De acordo com a matéria, o ministro recebeu, durante quase cinco anos, salários da Câmara dos Deputados e da prefeitura do Rio de Janeiro ilegalmente. O pedetista teria ocupado, de dezembro de 2000 até novembro de 2005, os cargos de assessor na Câmara dos Deputados, no Congresso, e também na Câmara Municipal do Rio, assessorando o vereador Sami Jorge, também do PDT (foi cedido à Câmara pela Prefeitura, que pagava seus vencimentos).
Não é a primeira vez que a Comissão de Ética Pública pede a demissão de Lupi. Em 2007, a comissão recomendou sua exoneração por incompatibilidade entre sua atuação no governo federal enquanto era presidente nacional do PDT. O então presidente Lula adiou a recomendação enquanto pôde e chegou a dar declarações em apoio ao ministro do Trabalho. A Comissão de Ética arquivou o caso em março de 2008 depois que Lupi se tornou presidente "licenciado" da legenda.