O deputado estadual Laerte Tetila (PT) acompanhou a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados em diligências realizadas na sexta-feira (02) e no sábado (03) na Grande Dourados para verificar os casos de violência contra os índios do Estado que vem ocorrendo com frequência.
Além de Tetila, que representou no Estado, três deputados federais fizeram parte da comissão: Domingos Dutra (PT-MA), Erika Kokay (PT-DF), Padre Ton (PT-RO). O grupo se mobilizou após denúncias do deputado Tetila, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.
Tetila ressaltou que o trabalho é de extrema importância e que a questão deve ser resolvida o mais breve possível. “O que os indígenas pedem, é só o reconhecimento de suas terras, menos de 2% do território do Mato Grosso do Sul. É muito pouco em relação ao custo benefício, porque o sofrimento dessas famílias é muito grande”, explica o deputado.
O deputado Padre Ton contou aos presentes que na Câmara há uma tendência muito grande de aprovar leis contra os índios. Ele é presidente da Frente Parlamentar dos Assuntos Indígenas e explica o trabalho na Grande Dourados. “Nossa visita é uma vista séria, daqui sairá um relatório que será entregue na presidência da República”, afirma o Padre.
Domingos Dutra também justificou a presença da Comissão. “Gostaríamos de estar aqui em outra ocasião, não nessa situação de violência contra os primeiros donos desse país”, afirmou ele, dizendo que resolver o conflito é uma questão de Justiça.
Erika Kokay, que recebeu Tetila das duas vezes que esteve em Brasília, criticou a morosidade da Justiça, que na opinião dela favorece aqueles que sempre se acharam “donos de todas as terras e das pessoas”. “Fortalece os mais fortes que sempre estiveram ao lado da elite de poder dominante”, disse ela.
Participaram de reuniões lideranças indígenas de terras de Paranhos, Rio Brilhante, Douradina, Caarapó e Tacuru, policiais federais, da Força Nacional, servidores da FUNAI e órgãos indigenistas de assistência.
Tonico Benitez, indígena da comunidade Jaguapiré, doutorando em Antropologia, relatou resumidamente a história de como os indígenas da Grande Dourados foram expulsos de suas terras a partir de 1917 e aldeados em locais fora de seus lugares de origem. “De 1928 até 1970, por exemplo, nenhuma Reserva foi demarcada no Mato Grosso do Sul”, lembra ele.
Já o cacique Farid de Lima, de Rio Brilhante, que foi despejado recentemente de um acampamento em uma fazenda de sua região, contou que mora com mais 150 pessoas às margens de uma rodovia. “É um sofrimento sem tamanho. É cruel ver aquelas crianças de manhã, no frio, sem ter água, para onde ir”, relata o deputado.
A Comissão se reuniu com pessoal do Ministério Público Federal e visitou os acampamentos indígenas Guayviri (Aral Moreira), Kurusú Ambá (Coronel Sapucaia), Ñderu Laranjeira (Rio Brilhante) e Puelito Kuê (Iguatemi).