O deputado federal Marçal Filho, que teve o pedido de quebra do sigilo bancário autorizado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), em função de gravações contidas no relatório da Polícia Federal que investiga os envolvidos na operação “Uragano” (furacão, em italiano), disse ao Douranews que está sentindo “cheiro forte de exploração política e direcionamento pré-eleitoral” na divulgação desse fato.
Segundo o deputado douradense, apontado juntamente com Geraldo Resende (ambos integram a bancada do PMDB na Câmara Federal) no suposto esquema de corrupção que teria sido conduzido pelo ex-prefeito Ari Artuzi em Dourados, “esse tipo de denúncia, mais uma vez [em 2010 já houve acusações no mesmo sentido], em período pré-eleitoral, só pode interessar a uma parte da classe política local e estadual que não aceita outra candidatura nas eleições para a Prefeitura este ano que não seja a do atual prefeito”.
O deputado Marçal Filho observa ainda que, em novembro do ano passado, quando o assunto foi tema de apreciação por parte do ministro Marco Aurélio Mello, no STF, ele próprio tomou a iniciativa de falar com o magistrado e se colocar à disposição para ajudar nas investigações. “Coloquei meu sigilo à disposição do Supremo por dois motivos bastante claros: jamais adotei essa prática citada nas denúncias [cobrança de “comissões” por emendas] e também porque no período citado, de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2010, eu assumi como deputado em julho de 2009 e, mais ainda, as emendas que apresentei aos orçamentos de 2010 e 2011, não tiveram nenhum centavo liberado até agora. Portanto, nem que quisesse, não teria como ter recebido essas comissões, porque o dinheiro sequer foi liberado”.
O envolvimento dos dois deputados do PMDB douradense, frequentemente citados como pré-candidatos do partido às eleições municipais deste ano, no inquérito movido pelo MPF (Ministério Público Federal) decorrente da operação “Uragano”, deflagrada em setembro de 2010, é considerado por Marçal Filho como “mais uma das artimanhas da baixaria política que infelizmente ainda não foram abolidas em Dourados”.