O presidente do Conselho de Ética do Senado, Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), negou o pedido do advogado de defesa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), Antônio Carlos de Almeida Castro, de ter cinco dias para analisar o parecer apresentado hoje (3) pelo relator Humberto Costa (PT-PE). O advogado alegou que a maior parte das argumentações do relator não se refere à representação apresentada pelo PSOL.
"Nesse voto, muito bem fundamentado juridicamente, quase 80% das informações são relativas a outros fatos. Por mais de 40 páginas, nós tratamos aqui de outros fatos que eu não tive a oportunidade de enfrentar", destacou. "Eu quero ressaltar que o primeiro direito do cidadão é ser bem acusado. Todos têm o direito de ter contra si uma acusação precisa e bem fundamentada", completou o advogado.
Na fase de investigação preliminar, Demóstenes teve dez dias para apresentar uma defesa prévia, mas segundo o advogado, o trabalho se limitou às acusações que constavam na representação. "O defensor está pela primeira vez tomando contato com essas acusações. Nem tive tempo de conversar com o senador Demóstenes sobre o assunto", disse.
No relatório, apresentado hoje (3), o senador Humberto Costa pediu abertura do processo disciplinar contra o senador, que pode resultar na cassação do mandato de Demóstenes, investigado pela CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) aberta com o fim de apurar as relações do senador com o contraventor Carlinhos Cachoeira, preso em Brasília desde fevereiro. As informações são da Agência Brasil.