Os senadores do Conselho de Ética vão votar e começar a decidir nesta segunda-feira (25) o futuro do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), apontado como defensor dos interesses do bicheiro Carlinhos Cachoeira no Senado Federal. O relator, senador Humberto Costa (PT-PE), vai apresentar seu voto e, logo em seguida, os parlamentares aprovam ou rejeitam a indicação que pode ir de censura à cassação do mandato.
Para não se adiantar e facilitar uma resposta da defesa de Demóstenes, Costa apresentou apenas o relatório descritivo, explicando e detalhando o que ocorreu desde o início das investigações no Conselho de Ética. Ele e outros parlamentares criticaram a postura do Supremo de “interferir no Legislativo”.
Uma semana depois, a expectativa é a mesma. Costa deve recomendar a cassação de Demóstenes. No entanto, para que a perda do mandato se concretize, o texto precisa cumprir um trâmite que passa ainda pela aprovação no conselho em votação aberta, análise na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e nova aprovação no plenário da Casa — desta vez, em votação secreta.
CPI
A CPI do Cachoeira também terá agenda intensa nesta semana, depois de uma pausa durante o período da Rio+20. Nove pessoas foram convocadas a depor, todas ligadas às suspeitas de envolvimento dos governos de Goiás e Distrito Federal com Cachoeira.
Na próxima terça-feira (26), serão ouvidos o ex-assessor do governador Marconi Perillo (GO), Lúcio Fiúza Gouthier, que teria presenciado o pagamento do imóvel; Écio Antônio Ribeiro, um dos sócios da empresa Mestra Administração e Participações, em nome da qual a casa foi registrada num cartório em Trindade (GO); e Alexandre Milhomen, arquiteto que trabalhou na reforma da residência.
Na quarta (27), outras três pessoas ligadas a Perillo vão falar na CPI. Jayme Eduardo Rincón, ex-tesoureiro da campanha de Perillo ao governo do Estado em 2010 e presidente da Agetop (Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas); Eliane Gonçalves Pinheiro, ex-chefe de gabinete de Marconi Perillo e suspeita de repassar informações sobre operações policiais para o grupo de Cachoeira; e Luiz Carlos Bordoni, radialista que diz ter recebido dinheiro do grupo do bicheiro para trabalhar na campanha do governador.
Na quinta (28), será a vez de pessoas ligadas ao governador Agnelo Queiroz (DF) prestarem depoimento no Congresso Nacional. Foram convocados Cláudio Monteiro, ex-chefe de gabinete do governador que foi citado em escutas telefônicas como possível facilitador do esquema; Marcello de Oliveira Lopes, o Marcelão, ex-assessor da Casa Militar do DF que estaria envolvido em nomeações a favor dos interesses do grupo; e João Carlos Feitoza, o Zunga, ex-subsecretário de Esportes do DF e suspeito de receber dinheiro do grupo de Cachoeira.
Todos os depoentes foram convocados em condição de testemunha. Isso, em tese, os obriga a falar o que sabem. No entanto, o presidente diz que vai resguardar o direito constitucional de se manter calado de todo mundo, caso solicitem. Nos últimos depoimentos, a grande maioria das testemunhas conseguiu habeas corpus do STF para não falar. (R7)