O senador Demóstenes Torres (sem partido - GO) disse nesta segunda-feira (2), em discurso no plenário do Senado, que a Polícia Federal teria divulgado somente os trechos das gravações telefônicas que supostamente o incriminariam. As escutas fazem parte das operações Vegas e Monte Carlo, que apontaram envolvimento de Demóstenes com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. "A Polícia Federal selecionou para divulgação apenas os trechos que interessavam às denúncias. As partes que suspostamente me incriminariam", afirmou o senador.
"Segundo se divulgou, foram 250 mil horas de gravações telefônicas. Ninguém conseguiu ouvir todas essas 250 mil horas. A própria PF degravou somente 0,001% e, ainda assim, encheu dezenas de volumes. (...) Se, nas demais 249.997 horas e meia de conversas gravadas, os diálogos contiveram tese de defesa dos investigados, a polícia não gastaria tanto tempo, estrutura, propagando algo que levasse a inocentar quem ela ficou quatro anos tentando pintar como culpado", disse o parlamentar.
Demóstenes Torres sustentou ainda que as gravações seriam montagens, confeccionadas com "edições montadas a favor do denunciante". Segundo ele, as conversas foram "suprimidas e emendadas", com o objetivo de "realizar acusações contra um senador da República. "Assim, de vazamento em vazamento, de grão em grão, foi moída uma história honrada", disse Demóstenes, ao pedir novamente que os áudios sejam periciados.
O discurso do parlamentar, que enfrenta processo de perda de mandato, foi proferido em um plenário praticamente vazio. O senador iniciou sua fala afirmando que até quarta-feira (4) vai rebater as acusações que vem sofrendo até provar sua inocência. "Eu não coloquei meu mandato a serviço de Cachoeira, (...) eu nunca pedi nem recebi vantagem indevida", insistiu. O senador também refutou acusações de que teria empregado servidores fantasmas e usado aeronave com frete pago por Carlinhos Cachoeira. Com informações do Terra.