Um dia depois de ter o mandato cassado, o ex-senador Demóstenes Torres reassume o cargo de Procurador de Justiça de Goiás. Agora, ele tem a responsabilidade de conduzir inquéritos criminais. No primeiro dia, ele não apareceu para trabalhar. Ele pediu um abono de cinco dias.
Já o suplente dele, o empresário Wilder Moraes, que nem tomou posse, vai ter de dar explicações no Senado sobre gravações em que aparece conversando com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. A CPI do Cachoeira quer ouvi-lo.
O depoimento ainda não foi marcado, e nem a posse, que segundo a assessoria dele, deve ser ainda este mês, durante o recesso.
O Senado espera o novo senador em um clima de constrangimento. “É evidente”, diz o senador Álvaro Dias.
“A situação dele requer e exige que tão logo tome posse e preste explicações ao plenário do Senado. Porque alguém que é pego em interceptação telefônica com o senhor Carlinhos Cachoeira dizendo que tudo que tem de mandato na política deve a Carlos Cachoeira. Ora, tem que chegar prestando explicações ao conjunto de parlamentares sobre isso”, explica o senador Randolfe Rodrigues.
O futuro senador é Wilder Moraes, flagrado em uma gravação feita pela Polícia Federal há um ano. No diálogo, revelado pelo jornal Folha de São Paulo, Wilder conversa justamente com o bicheiro Cachoeira, se referindo a ele como um ‘padrinho político’.
“Fui eu que te pus na suplência, essa secretaria, fui eu. Você sabe muito bem disso”, diz Cachoeira.
“Carlinhos, deixa eu falar um negócio para você. Pensa um cara que nunca teria, enfim, encontrado um governo, que nunca teria sido nada, cara. Você tá falando com esse cara”, afirma Wilder.
Wilder Moraes, segundo a Junta Comercial goiana, é dono de 21 empresas. Uma delas fez doações para a campanha de Demóstenes Torres que somam R$ 700 mil. Ele declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 14,4 milhões. Há um ano e meio assumiu a Secretaria de Infraestrutura do governo de Goiás. Wilder tem até 90 dias para tomar posse como senador.
O gabinete que vai ocupar já está à espera da nova placa. O nome de Demóstenes Torres foi retirado, dia de limpeza geral. Papéis com o nome do ex-parlamentar foram para o lixo. Os servidores serão exonerados. Demóstenes perde o salário de R$ 26,7 mil e terá desocupar o apartamento funcional do Senado, onde viveu os últimos nove anos.
Sai de cena o senador, entra o procurador de Justiça Demóstenes Torres, que volta a ocupar a cadeira no Ministério Público de Goiás, cargo do qual estava licenciado. A sala ele já tem, mas pediu um abono de cinco dias e ainda não apareceu.
A assessoria de Wilder Moraes disse que não conseguiu localizá-lo para comentar a denúncia porque ele está de férias.