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Cabral ameaça renuncia ao Governo do Rio e provoca ira no PT

19 de julho 2012 - 12h43 Por Redação Douranews
Cabral ameaça renuncia ao Governo do Rio e provoca ira no PT

Caiu como uma bomba no PT do Rio a decisão do governador Sérgio Cabral (PMDB) de renunciar ao cargo em dezembro de 2013 para deixar o vice Luiz Fernando Pezão ganhar “musculatura” para a disputa do governo do estado em 2014. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que vinha trabalhando nos bastidores em busca de consenso em torno de sua candidatura ao governo, decidiu se antecipar e lançar-se candidato.

“A eleição está longe, mas eu serei candidato a governador. Essa é uma posição já aceita quase por consenso no PT do Rio. A pergunta que faço é se eles (Cabral e o PMDB) combinaram com o povo. Porque a máquina tem peso, mas quem decide as eleições é o povo. E podemos ganhar a eleição”, reagiu Lindbergh.

A maior preocupação dos petistas é com a longevidade do plano do governador. Conforme revelou o jornal O Globo ontem (18), a ideia de Cabral é pôr Pezão à frente do governo já em dezembro de 2013 e, com isso, fortalecê-lo para a disputa de 2014. Caso ele vença a disputa, ficaria inelegível em 2018, quando Eduardo Paes (PMDB) seria candidato, com apoio dos dois. Hoje prefeito do Rio, Paes ainda poderia, se vitorioso, ser candidato à reeleição em 2022. Procurados ontem, Cabral e Paes não quiseram comentar o assunto.

“O PT não pode ficar secundarizado aqui até 2026. É isso que eles querem. Nós não admitiremos isso”, protestou Lindbergh, que diz hoje não temer uma intervenção nacional do seu partido. “Todo mundo com quem tenho conversado da direção nacional do partido apoia nossa candidatura”, diz.

Entre os petistas, no entanto, o clima é de temor. Historicamente, a direção nacional do PT vêm apoiando o uso da legenda no Rio como moeda de troca dos planos nacionais da sigla. Em 1998, chegou a promover uma intervenção para a retirada da candidatura de Vladimir Palmeira ao governo.

A atitude de Cabral — que há dois meses revelou à presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Lula o desejo de sair do governo no fim de 2013 — é vista por petistas como a preparação de terreno para que seja, novamente, negociada uma troca. Nela, o governador apoiaria a reeleição de Dilma e o PT nacional retiraria a candidatura de Lindbergh.