Texto guardado em sigilo há mais de seis anos revela alterações no relatório final da CPI dos Correios, que investigou o mensalão, para omitir menções a Fábio Luís, o Lulinha, filho mais velho do ex-presidente Lula.
O documento foi redigido pela equipe do deputado ACM Neto (DEM-BA), sub-relator da CPI para o tema fundos de pensão. O presidente da comissão, senador Delcídio Amaral (PT-MS), também disse que havia pressão "de todos os lados" para retirar os trechos que citavam Lulinha.
Fábio Luís foi investigado porque a Telemar (atual Oi) investiu R$ 5 milhões na Gamecorp, em 2005, um ano após ter sido criada por Lulinha, com capital de R$ 10 mil. Dois fundos de pensão apurados pela comissão tinham participação na Telemar, que recebera aporte do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), segundo informações publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo e reproduzidas pelo Terra.
O relator da CPI, deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse que seu relatório final na CPI dos Correios poderia não ser aprovado se citasse o nome do filho de Lula. O relator confirma, porém, que o caso não foi retirado do texto, mas o sigilo da Gamecorp não foi quebrado. Segundo ACM Neto, a ordem para retirar o nome do filho do ex-presidente foi dada na segunda-feira anterior à votação do relatório final.