O advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa, que defende o presidente nacional do PTB , Roberto Jefferson, no processo do mensalão, afirmou ontem (30) à Agência Estado que vai insistir, durante o julgamento pelo STF (Supremo Tribunal Federal), na inclusão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como réu no caso.
O julgamento está marcado para começar quinta-feira (2) e, apesar de o Supremo já ter rejeitado anteriormente o pedido de inclusão de Lula, Corrêa Barbosa disse que fará novo questionamento quanto ao envolvimento do ex-presidente. O advogado deve fazer sustentação da tribuna do STF no dia 10 de agosto.
O defensor no processo diverge da linha adotada por Roberto Jefferson desde que revelou em 2005 o suposto esquema de compra de apoio político no governo Lula. Para Jefferson, Lula não sabia. "Não é o que a produção da prova e as diligências comprovaram e eu constatei nos autos", afirmou o advogado. O presidente do PTB é réu na ação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Um dos indícios de envolvimento do ex-presidente apontados pelo defensor é o fato de Lula, ao ter supostamente sido avisado por Jefferson do esquema de compra de apoio político no Congresso, não ter feito nada. Corrêa Barbosa também quer saber o motivo pelo qual a Procuradoria-Geral da República não o denunciou, não fez diligências, nem sequer propôs ao Supremo o arquivamento de uma investigação contra Lula. "É uma caixa-preta aquilo lá", criticou.
Para o presidente do PTB estadual Ivan Louzada, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva confessou seu envolvimento a partir do momento em que desculpou-se com a nação. "Quem desculpas pede por algo é porque algo cometeu”, disse Louzada."Para mim ele já sabia do esquema, na época Roberto tentou alertá-lo, procurou preservar Lula, por ser um chefe da nação, não tem como um presidente não saber de um escândalo tão grande que foi este, muito dinheiro estava envolvido, como que um chefe da nação , não tem conhecimento do que está acontecendo dentro da sua própria cozinha?”, indaga Louzada.
Para o advogado de Jefferson, o Supremo terá três caminhos a seguir quando ele questionar mais uma vez a ausência de Lula no caso: rejeitá-lo; converter em diligência para incluí-lo no processo (o que atrasaria o julgamento); e mandar abrir um processo em separado. A chance de sucesso da estratégia, contudo, é nula e serviria mais para retardar o julgamento da causa.
Corrêa Barbosa visitou Jefferson no domingo à noite no Hospital Samaritano, no Rio. O presidente do PTB passou no sábado por uma cirurgia para retirada de um tumor no pâncreas. Segundo o advogado, Jefferson estava bem disposto. "Ele não parava de falar e ainda queria saber o que os jornais estavam noticiando sobre o mensalão", disse. Com assessoria