O deputado estadual Laerte Tetila (PT), o ex-governador Wilson Barbosa Martins (PMDB) e o secretário de Direitos Humanos da Presidência da República, Gilney Viana, participaram, juntos, da instalação da Comissão da Verdade que irá investigar, em Mato Grosso do Sul, os crimes de tortura, assassinatos e desaparecimentos de presos políticos das ditaduras que se instalaram no Brasil entre os anos de 1946 e 1988. O advogado Wilson Palermo preside a Comissão da Verdade no Estado.
Foi exibido, durante o ato de instalação, um documentário produzido pelo curso de jornalismo da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) no ano de 2004. No documentário, o ex-governador Wilson Barbosa Martins, por exemplo, aparece falando da cassação sofrida como deputado federal pela extinta UDN (União Democrática Nacional). Outro depoimento marcante é o do falecido deputado federal Nelson Trad [na época do golpe de 1964, vice-prefeito de Campo Grande], falando da prisão e tortura física sofridas pelo advogado Ricardo Brandão.
O ato de instalação da Comissão da Verdade ocorreu sexta-feira (3) à noite na Câmara de Vereadores da Capital. A avenida em que a Câmara atualmente está localizada tem o nome do ponta-poranense Brandão e, de acordo com Tetila, “quem o torturou, e se ainda estiver vivo e morar em Campo Grande, provavelmente deve se martirizar toda vez que passar por ali, pela Avenida Doutor Ricardo Brandão, uma das principais avenidas da cidade”. A Comissão de Direitos Humanos da OAB/MS também leva o nome de Ricardo Brandão.
O plenarinho da Câmara de Campo Grande ficou praticamente lotado para a instalação da Comissão da Verdade. Entre os presentes ao ato estavam ainda o historiador Valmir Batista Correia, o ex-vereador Fausto Mato Grosso e o advogado trabalhista João José de Souza Leite.
Relatório
Segundo o advogado Laírson Palermo, a Comissão estadual é formada por integrantes da sociedade civil organizada e um dos objetivos é fazer um relatório das violações aos direitos humanos ocorridos nos últimos anos no Brasil.
O advogado informou que entre os casos que serão analisados pela Comissão no Estado estão, por exemplo, a invasão do jornal “O Democrata”, com sede em Campo Grande, a prisão política de pessoas contrárias ao regime militar em um navio no município de Corumbá e a expulsão, no interior do Estado, de moradores do antigo povoado de São Carlos pelos militares.
Conforme o deputado Laerte Tetila, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, cada Estado terá prazo de dois anos para apresentar um relatório e encaminhá-lo à Comissão Nacional da Verdade, que foi instalada oficialmente em maio deste ano pela presidente Dilma Rousseff.