Durante a audiência pública “Greve na UFGD: reivindicações e perspectivas”, o vereador Elias Ishy (PT) voltou a defender a legitimidade do movimento deflagrado por professores e técnicos administrativos das instituições federais de ensino superior. O evento foi realizado ontem (16) à noite na Câmara de Dourados por proposição do parlamentar, único dos 12 membros do Legislativo que participou da audiência e que defendeu a pressão social sobre o governo para a retomada das negociações.
“Não podemos poupar ninguém, nem a Dilma [Rousseff], nem o Aloizio Mercadante e nem a alta cúpula do PT em Brasília”, afirmou o petista Elias Ishy. O vereador considera que o fato de ser correligionário da presidente da República não lhe impede de manifestar apoio ao movimento de protesto contra o governo federal. “Tem que haver pressão social, pois só assim os políticos que estão lá vão nos ouvir”.
Foi justamente por esse motivo que o parlamentar propôs a audiência pública. “Essa audiência serve para mostrar à sociedade que todos nós, professores, técnicos, estudantes e sociedade em geral, estamos buscando uma solução para isso, porque o prejuízo é para todo mundo”, ponderou. “Entendemos que em respeito a esses profissionais, as negociações devam ser retomadas e que sejam feitas propostas que contemplem as reivindicações”.
Representante dos professores, o presidente da Aduf-UFGD (Associação dos Docentes da Universidade Federal da Grande Dourados), Adauto de Oliveira Souza, manifestou seu descontentamento com a postura governamental diante das negociações. Para ele, as duas propostas apresentadas até o momento foram puramente midiáticas. De acordo com o líder sindical, esse seria o meio encontrado pela administração pública federal para manipular a opinião pública.
“Essa já é a maior greve da educação brasileira em termos de dias de paralisação”, informou. Segundo Souza, o objetivo agora é unificar as mobilizações de docentes e servidores técnico-administrativos. Além disso, o professor garantiu que “as aulas perdidas serão repostas com a mesma qualidade de sempre”. Também afirmou que “a greve não tem limite cronológico” e pode prosseguir caso o governo não encaminhe uma proposta satisfatória até o limite estabelecido em lei para a concessão de reajuste, em 31 de agosto.
Angelo Franco Ribeiro representou o Sista-UFGD (Sindicato dos Servidores Técnico-Administrativos) e disse que há um descaso por parte dos negociadores do governo. “Em cinco anos houve 50 reuniões improdutivas como o governo federal”, explicou. “Somos 180 mil técnicos no país e somos a categoria que menos ganha no Executivo federal”.
Mesmo assim, Ribeiro ressaltou que a luta dos servidores, assim como a dos docentes, não visa unicamente questões salariais. A pauta de reivindicações do funcionalismo público federal inclui também a reestruturação das carreiras. “A greve é o último recurso que lançamos mão”, desabafa, pontuando que em 2011 já houve uma paralisação de 100 dias, encerrada após a União assumir compromisso de avançar nas negociações.
Ao fim da audiência pública, ficou estabelecido que uma carta será encaminhada para os deputados estaduais de Mato Grosso do Sul, todos os oito federais e três senadores eleitos pelo Estado, além do governador e do prefeito. O objetivo é apresentar as reivindicações e perspectivas do movimento grevista que afeta ao menos 55 instituições federais de ensino superior no país. Ishy também vai apresentar moção de apoio às mobilizações da categoria na sessão ordinária de terça-feira (21).