O julgamento dos acusados de envolvimento no esquema do mensalão será retomado nesta quarta-feira no Supremo Tribunal Federal (STF) com o voto do revisor, ministro Ricardo Lewandowski, para os mesmos réus e acusações sobre os quais o relator, Joaquim Barbosa, votou nas últimas duas sessões. Após dias de incertezas sobre a sequência, os ministros finalmente acataram a proposta de Barbosa, de dividir os votos pelo mesmo esquema que consta na denúncia da Procuradoria Geral da República.
No primeiro dia dedica à leitura do voto, Barbosa condenou o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) por lavagem de dinheiro, corrupção e peculato. Pelos dois últimos crimes ainda foram condenados pelo relator o empresário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza e seus sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz. Na última segunda-feira, Joaquim Barbosa também considerou o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato culpado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O relator ainda absolveu o ex-ministro da Secretaria de Comunicação do governo Lula Luiz Gushiken.
Lewandowski chegou a resistir ao sistema de votação “fatiada”, mas foi vencido pela maioria no STF e terá que proferir sua sentença para os mesmos réus. O item julgado por Barbosa e que será alvo da fala de Lewandowski é o de número três da denúncia, que trata sobre supostos desvios de recursos da Câmara dos Deputados e do Banco do Brasil por meio de contratos com agências de publicidade.
O revisor, assim como todos os demais ministros, não tem limite de tempo para apresentar o seu voto e a expectativa é que o ministro utilize pelo menos duas sessões, como fez o relator. Depois de Lewandowski, os demais nove ministros da Corte apresentam seus votos sobre o mesmo tema.
Os próximos capítulos a serem avaliados também seguem as divisões feitas pela denúncia. Após o item três, será avaliado o cinco, que, segundo o próprio relator, trata de empréstimos bancários. Depois os ministros voltarão ao capítulo quatro, sobre evasão de divisas, passando em seguida para os itens seis, sete e oito. O último a ser votado é o item dois, que trata do núcleo político e formação de quadrilha.