Em entrevista ao jornal espanhol El País, publicada ontem (17) no site do periódico, a presidente Dilma Rousseff falou pela primeira vez sobre o julgamento do mensalão após as condenações dos petistas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares no STF (Supremo Tribunal Federal). Ela afirmou que, como presidente da República, não pode se manifestar sobre as decisões da Suprema Corte.
"Acato suas sentenças, não as discuto", disse. "O que não significa que ninguém neste mundo de Deus está por cima dos erros e das paixões humanas", completou a presidente que está na Espanha participando da 21a. Conferência Ibero-Americana.
Questionada sobre o escândalo de corrupção no primeiro mandato de Lula, ela destacou a transparência do governo antecessor. "Poucos governos fizeram tanto pelo controle do gasto público como o do presidente Lula. Abrimos o Portal da Transparência, com todas as contas públicas ao alcance de quem queira consultá-las. Também fizemos a Lei de Acesso à Informação, que obriga a divulgação dos salários das autoridades. Estou radicalmente a favor do combate à corrupção, não só por uma questão ética, mas também por um critério político. Falo agora da corrupção dos governos, não a de outro tipo como a das empresas, que também existe. Um governo é 10 mil vezes mais eficiente quanto mais controla, mais fiscaliza e mais impede. Não há meio-termo a este respeito, ou compromisso de qualquer espécie, que no Brasil é chamado de 'meio grávida'".
A entrevista para o periódico espanhol foi concedida em 12 de novembro, dia em que o STF definia a pena a ser aplicada aos petistas condenados no julgamento. Em seu site, o El País chama a reportagem com a frase "Dilma, a forte", e abre a matéria com uma declaração da presidente sobre a crise na Europa. "Eu não creio que o problema da Europa seja seu modelo de Estado de bem-estar. O problema é que foram aplicadas soluções inadequadas para a crise e o resultado é um empobrecimento das classes médias. Neste ritmo, haverá uma recessão generalizada", disse a governante brasileira.
O El País também elogia a facilidade com que Dilma lida com as questões econômicas. "Rousseff identifica de memória as cifras, as porcentagens e as magnitudes. Conhece a linguagem dos mercados e argumenta no mesmo idioma. Uma qualidade estranha aos políticos do momento, que se entregam em mãos de tecnocratas e aplicam as receitas dos especialistas".
O jornal ainda destaca a popularidade de Dilma, que alcança índice superior ao que conquistou o presidente Lula em seus dois mandatos. "Dilma não tem o carisma de Lula, mas brilha por si mesma por sua eficácia e sua convicção política", descreve a reportagem.