O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, confirmou nesta sexta-feira (1) que denunciou o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público), falsidade ideológica e uso de documento falso. O conteúdo da denúncia foi publicado pela revista Época.
Segundo o chefe do Ministério Público, ele tomou a decisão de denunciar o parlamentar do PMDB a uma semana da eleição para a presidência do Senado para evitar questionamentos futuros.
“Havia duas alternativas: oferecer a denúncia antes, como eu fiz, ou aguardar para oferecer depois. Certamente, se afirmaria que o procurador-geral não tinha oferecido antes para evitar qualquer embaraço à eleição do senador Renan. Então, preferi oferecer antes”, explicou Gurgel após a primeira sessão do Supremo neste ano.
A investigação contra Renan no STF teve início em agosto de 2007. Em fevereiro de 2011, o relator do inquérito, Ricardo Lewandowski, pediu um parecer do Ministério Público sobre o caso. Desde então, o inquérito estava sob análise de Gurgel, que enviou a denúncia ao Supremo no dia 25 de janeiro.
De acordo com o procurador-geral, a demora na avaliação do caso se deu por conta do tamanho do processo – são 43 volumes – e ao fato de ele ter se dedicado no último ano, durante mais de quatro meses, ao julgamento do processo do mensalão.
Para que Renan se torne réu em uma ação criminal, os ministros do Supremo têm de julgar se aceitam a denúncia do Ministério Público. Não há previsão de quando o caso será analisado pelos magistrados da corte.
Renan é considerado o candidato favorito na eleição que está escolhendo, na manhã desta sexta, quem irá presidir o Senado pelos próximos dois anos. Ele disputa o cargo contra o senador Pedro Taques (PDT-MT).