O ex-vice-prefeito de Dourados, Carlos Roberto Assis Bernardes, o Carlinhos Cantor, se apresentou nesta sexta-feira (3) à Justiça, após retornar do exterior. Durante cerca de dez meses, ele permaneceu nos Estados Unidos, prestando serviços no ministério evangélico da Comunidade Sara Nossa Terra.
De volta ao Brasil, Cantor decidiu, segundo a advogada Daniela Hall, que o acompanhou na apresentação à 1ª. DP (Delegacia de Polícia), mostrar às autoridades locais que não teria motivo algum para ser colocado na condição de fugitivo da Justiça, como chegou a ser apontado o caso da viagem do ex-vice-prefeito.
Carlinhos Cantor foi preso, juntamente com o então prefeito Ari Artuzi e nove dos 12 vereadores da Câmara de Dourados, em setembro de 2010, acusado de participar dos esquemas que eram conduzidos pelo ex-prefeito, com o envolvimento ainda de empresários e agentes públicos no Município, no processo de investigação que ficou conhecido como ‘operação Uragano’ (furacão, em italiano).
No dia 3 de dezembro de 2010, após noventa dias recolhido na Phac (penitenciária Harry Amorim Costa), Carlinho Cantor e o então presidente da Câmara, Sidlei Alves, foram colocados em liberdade, por decisão do desembargador Dorival Moreira dos Santos, do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).
A decisão estendeu o benefício aos ex-vereadores Cláudio Marcelo Machado Hall, o Marcelão e Humberto Teixeira Júnior, à então mulher de Ari, Maria Aparecida de Freitas Artuzi, e aos ex-secretários da Prefeitura Alziro Arnal Moreno e a mulher dele, Tatiane Cristina da Silva Moreno, Ignez Maria Boschetti Medeiros e Dilson Cândido de Sá, todos réus da mesma operação.
Restrição só para Artuzi
De acordo com o despacho ao HC (habeas corpus) interposto pelo ex-vice-prefeito em agosto do ano passado, ao qual o Douranews teve acesso, as medidas restritivas, de mobilidade e deslocamento no decorrer do processo, foram aplicadas apenas ao então prefeito, depois que foi solto, mediante as seguintes condições, como especificou o desembargador Dorival Moreira:
“Revogo a prisão preventiva de Ari Valdecir Artuzi e imponho ao mesmo o dever de comparecer a todos os atos do processo, não mudar de endereço sem a devida comunicação, nem se ausentar da Comarca de Dourados – MS por mais de 8 (oito) dias sem prévia autorização judicial, sem prejuízo de novo decreto de prisão preventiva se sobrevierem razões que a justifiquem”.
O Alvará de Soltura 215/2010, que colocou em liberdade o ex-vice-prefeito, observa não haver “qualquer condição, ao contrário daquele que libertou Ari Valdecir Artuzi; fica patente, pois, a disparidade de situações entre Ari Valdecir Artuzi e Carlos Roberto Assis Bernardes”, sustentou o desembargador, ao deferir o HC.
Fugindo de confusão
Daí porque, segundo a defesa de Cantor, a Câmara de Dourados não se eximiu também, de, ao consentir na autorização de afastamento do ex-vice-prefeito do país [Carlinhos é funcionário de carreira do Legislativo], em observar esses preceitos, conforme a portaria 136, de julho de 2012, assinada pelo presidente Idenor Machado.
“Não fujo de nada, e nem de ninguém. Estou apenas fugindo de confusão”, revelou, ainda dos Estados Unidos, em contato com o Douranews aa semana passada, o ex-vice-prefeito. Carlinhos Cantor também foi secretário estadual de Desporto e Lazer durante o mandato do governador Zeca do PT e vereador pelo PR e presidente da Câmara de Dourados entre os anos de 2006 a 2008.