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Ato na Fetems relembra os 50 anos do Golpe militar de 64

01 de abril 2014 - 21h28 Por Redação Douranews
Ato na Fetems relembra os 50 anos do Golpe militar de 64

Não para comemorar e sim para rememorar o Golpe Militar de 64 e discutir o atual momento político que o país vive, a Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) esteve à frente da organização da Plenária do Fórum Unitário dos Movimentos Sociais e Sindicais Cutistas de Mato Grosso do Sul, realizado junto com a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), nesta segunda-feira (31), na sede da Federação, em Campo Grande.

Entre os pontos que foram discutidos está o Plebiscito Popular proposto pela presidente Dilma Roussef e pelos movimentos sociais logo após as manifestações de junho do ano passado. A consulta quer saber quem é favorável ou não à formação de uma Assembleia Constituinte Exclusiva, aprovada em setembro de 2013, cujo resultado deverá contribuir para ampliar a democratização do país, conforme argumentam os defensores dessa tese.

Esta questão como outras que influenciam diretamente na democracia, e claro, a lembrança do Golpe Militar, foram os pontos principais da reunião entre os dirigentes sindicais, militantes dos movimentos sociais e lideranças políticas do Estado. Presidente da Fetems, Roberto Botareli afirmou que não se pode deixar cair no esquecimento o que ocorreu há 50 anos. Não esquecer os verdadeiros heróis que com a própria vida lutaram contra as classes dominantes para que se instalasse a democracia existente hoje. “Muitos enfrentaram a ditadura militar para construir uma sociedade mais justa. Essa data é e sempre será simbólica para rememorarmos e enfatizarmos a luta para que os responsáveis pela Ditadura de 64 sejam de fato punidos e as milhares de famílias brasileiras, vítimas desse Golpe, saibam o que aconteceu com seus entes, pois muitos desaparecimentos ainda continuam sem explicação concreta”, disse.

Em defesa da democracia plena, o presidente da Fetems afirmou que a responsabilidade é grande e como representantes da classe trabalhadora do campo e da cidade, o processo é se unir e se organizar. “Temos a responsabilidade de construir o estado de Mato Grosso do Sul, de fazer a retomada dos programas de esquerda. Programas que deram a oportunidade de famílias inteiras retomarem suas vidas, saírem da pobreza. Como representantes da classe trabalhadora nós temos a obrigação de lutar pela mudança, de fazer parte do processo de defesa da democracia em sua amplitude”.

O presidente da CUT/MS, Genilson Duarte, ainda lembrou que os brasileiros pagam um preço muito alto por causa da ditadura militar, e que a luta por uma sociedade mais justa não acabou e está nos movimentos sociais organizados. “Essa Plenária é de suma importância para os movimentos da classe trabalhadora do campo e da cidade de MS, é um momento de organização e reafirmação dos nossos ideais. Estamos unidos em prol de um Estado e de um Brasil livre de qualquer tipo de repressão, como foi em 64 e como está sendo em várias partes da América Latina, hoje o nosso país paga muito caro pela Ditadura, pois ainda existem os ´filhos´ dela que espalham o seu modelo, como é em MS há oito anos e em Campo Grande há mais de vinte”, afirma.

Para o presidente da Cassems (Caixa dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso do Sul), Ricardo Ayache, a maior discussão atual não é a mais desemprego e miséria, problemas que vem sendo mitigados desde no início do Governo do PT, com Lula e Dilma na presidência. Os grandes problemas da sociedade são saúde e educação pública, afirmou. “Porque é através da educação e da saúde de qualidade que vamos construir uma sociedade mais justa. Movimentos como estes nos fazem caminhar a passos mais largos, pois é aqui que debatemos os rumos para um país melhor”, disse.

Ainda sobre o Golpe Militar, o deputado estadual Cabo Almi, falou que a democracia que de fato e de direito existe hoje, se deve àquelas pessoas que perderam suas vidas por mudanças no país. “A luta dos movimentos deve continuar firme em memória a todos que lutaram até o fim pela democracia instaurada hoje”, ressalta.

O deputado Amarildo Cruz falou que este é um momento para refletir a sociedade que queremos para o futuro. Ele afirmou que estratégias são fundamentais para lutar contra todos aqueles que financiaram o Golpe de 64 e ainda hoje financiam o golpe contra a classe trabalhadora brasileira. “O povo brasileiro resiste diariamente às ditaduras que são instaladas pelo empresariado, judiciários, mídia, que acreditam que o melhor modelo é o de quem tem dinheiro”, afirma.

Já o deputado estadual Pedro Kemp falou sobre o simbolismo da Plenária organizada pela Fetems e afirmou que “estamos em um momento que é preciso se organizar, se articular para continuar fortalecendo a democracia”.

O deputado federal Antônio Carlos Biffi, ex-presidente da Fetems, também falou das eleições deste ano e a importância de não deixar que as forças que golpearam o país voltem. “Sou sindicalista desde 1975, quando o regime militar ainda estava instalado. Desafiamos o sistema naquele momento construindo uma alternativa”, ressalta. Para Biffi a luta hoje está na evolução dos movimentos sociais que devem crescer para fazer o enfrentamento às classes dominantes. Ele lembrou que a pior herança que o Golpe deixou foi a educação pública que afetou profundamente toda a sociedade brasileira e atualmente existe uma dificuldade muita grande de compreender a força do voto, que é a grande arma da população contra as injustiças políticas.

Já o vereador Zeca do PT enfatizou a tristeza dos dias de ditadura militar e salientou que a data não era um dia para se comemorar e sim para repudiar a arrogância, a prepotência de todos que apoiaram a ditadura.

Da CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil), Iara Gutierrez, que também é secretária de políticas sociais da Fetems, falou sobre as mulheres e afirmou que o Golpe Militar atrasou a participação delas na política e na sociedade, e que embora haja mudanças e o governo democrático esteja instalado ainda é preciso concretizá-lo efetivamente, juntamente com a participação feminina. “A voz feminina tem que estar presente”, disse.

Do MST/MS, Jonas Carlos da Conceição, lembrou da luta dos trabalhadores rurais e afirmou que a reforma agrária se constrói com educação. “Ao se unir somos mais fortes e sem sombra de dúvidas bandeiras de lutas do MST como a Reforma Agrária democrática e popular, se constrói em conjunto com todos os outros movimentos, como, por exemplo, os que lutam por uma educação de qualidade, como é o caso da Fetems”, concluiu.