A equipe que elabora o programa de governo que o PT e partidos aliados apresentarão aos eleitores sul-mato-grossenses a partir de julho promoveu no hotel Bahamas, em Dourados duas reuniões plenárias com especialistas das áreas de educação e saúde, para colher sugestões ao plano. O professor Pedro Chaves, coordenador político do pré-candidato ao governo, Delcídio do Amaral, participou dos debates e destacou a importância das plenárias.
“Não estamos fazendo plano de governo no gabinete. As plenárias são uma demonstração de democracia, com a contribuição de diferentes setores da sociedade, que reflete a vontade de cada região, de cada município. Queremos que o programa nasça realmente das pessoas. O apoio das universidades é uma prova inequívoca da importância dessa prática. Tenho uma larga experiência na educação, especialmente na iniciativa privada, mas conheço muito bem a escola publica. Entendo que devemos ampliar as áreas de ciência e tecnologia. Essa é uma das preocupações do Delcídio e, certamente, se eleito governador, ele vai investir nisso. Nosso pré-candidato quer fazer um governo para todos, onde ninguém será excluído”, garantiu Chaves.
Educação
A plenária sobre educação contou com a participação de professores, técnicos, pesquisadores, acadêmicos, gestores e sindicalistas da área de educação. Depois de aproximadamente 4 horas de debate, precedido por uma apresentação de um diagnóstico da atual situação do setor em Mato Grosso do Sul, foram apresentadas cerca de 50 propostas para o plano de governo, entre elas a autonomia orçamentária para a UEMS e a Fundect, a criação de uma rede de universidades para formação continuada de profissionais da educação, a realização de concursos, a reformulação dos planos de carreira, a gestão democrática e autonomia pedagógica na rede estadual e a implantação do ensino em horário integral no maior número possível de escolas. Todas as propostas serão encaminhadas pelo relator dos trabalhos, professor Reinaldo dos Santos, da UFGD em Dourados, à coordenação do plano de governo.
Regionalização
A plenária sobre saúde reuniu médicos, farmacêuticos, fisioterapeutas, enfermeiros, técnicos, usuários do SUS, representantes da Comissão Municipal de Saúde e lideranças sindicais. A equipe que elabora o programa de governo constatou, através de depoimentos, que, em Dourados, para se fazer exames especializados como colonoscopia, que detecta câncer no reto ou no intestino, é preciso enfrentar uma fila de pelo menos um ano, e mesmo os exames de média complexidade demoram entre 30 a 40 dias para sair o resultado.
Outra reclamação frequente é a dificuldade de realizar cirurgias eletivas, como de catarata, hérnia de disco e próstata, que podem levar meses para serem marcadas no sistema público de saúde. O relator dos trabalhos, médico infectologista Rivaldo Venâncio, da UFMS de Campo Grande, defendeu uma atenção especial do governo ao sistema de saúde de Dourados e região.
“Há uma angústia comum com a sobrecarga do sistema de saúde de Dourados, em parte pelas deficiências na condução do setor no município e também pela quase inexistência de infraestrutura nas demais cidades da região. Será preciso investir no fortalecimento da saúde no interior para aliviar as chamadas cidades pólo. Temos que fortalecer a rede de atendimento em Nova Andradina, Naviraí e Ponta Porã para que somente casos de alta complexidade sejam trazidos para Dourados. A proposta é a regionalização do atendimento na saúde”, explicou Rivaldo.
Participaram também das plenárias o médico Ricardo Ayache, presidente da Cassems e indicado no final de semana pré-candidato a senador na chapa de Delcidio; o coordenador do plano de governo, Marcus Garcia, os reitores da UEMS, Fabio Edir, e da UFGD, Damião Duque de Farias, além do deputado estadual Laerte Tetila (PT) e vereadores convidados.