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Reforma agrária de Getúlio antecipou caça a comunistas

24 de agosto 2014 - 02h23 Por Redação Douranews
Reforma agrária de Getúlio antecipou caça a comunistas

A criação da CAND (Colônia Agrícola Nacional de Dourados), considerada o modelo do Projeto “Marcha para Oeste”, o projeto colonizador de Getúlio Vargas que, segundo historiadores, marcou o início do movimento nacional pela reforma agrária no País, também principiou a campanha brasileira de caça aos comunistas por essa região do então estado de Mato Grosso, onde predominava o controle político das oligarquias que agiam na então UDN contra o PTB que no sul do estado era considerado um partido muito forte, precisamente na cidade de Dourados.

Fragmentos de um trabalho publicado pela Doutora em História pela UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), professora Suzana Arakaki, no XXVI Simpósio Nacional de História organizado pela ANPUH em São Paulo [em julho 2011] mostra que na região onde foi implantada a Colônia Agrícola também foram onde se acentuaram as perseguições políticas contra os petebistas da época, chamados de comunistas.

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Getúlio Vargas se suicidou no dia 24 de agosto de 1954, há 60 anos [petebistas celebram a data neste domingo, junto à estátua do ex-presidente em Dourados], em uma atitude que, conforme sustentam ainda historiadores, acabou adiando em pelo menos dez anos a deflagração da ditadura militar que já vinha sendo arquitetada nos bastidores políticos e que se consumou em abril de 1964, com a investida ante o governo do ex-vice-presidente João Goulart, que sucedeu ao presidente que renunciou Jânio Quadros.

Narrativas de prisões e perseguições, que ocorreram imediatamente após o golpe militar de 64, registradas em entrevistas concedidas ao Projeto de História Oral desenvolvido na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), dão conta da caça às pessoas ligadas ao PTB e também de colonos residentes na CAND, sob o argumento de que fariam parte do ‘Grupo dos Onze’, uma estratégia de resistência coordenada pelo então governador gaúcho Leonel Brizola que, desde a renúncia de Jânio Quadros, organizara uma extensa rede de apoio ao cunhado João Goulart.

Nas reuniões do ‘Grupo’, por exemplo, discutiam-se as condições de trabalho, a participação do empregado nos lucros das empresas, planos para implantar a reforma agrária, assuntos que naquela época eram considerados subversivos, como observou o ex-vereador Atílio Torraca, entrevistado pelo Projeto da UFMS, para quem, realmente, a CAND, implantada em 1943 por Getúlio Vargas, foi “uma demonstração verdadeira de reforma agrária.”

O golpe de 64 atingiu principalmente o PTB, porque este partido foi o que mais cresceu na massa de trabalhadores e que já em 64 se destacava com maior número de parlamentares, seguido pelo PSD e a UDN, que eram os adversários imediatos. “Nosso trabalhismo pregava um socialismo democrático [...] então em função disso o PTB foi o alvo da revolução de 64”, ilustrou o ex-vereador. Torraca chegou a ser, inclusive, um dos perseguidos pelo CCC (o Comando de Caça aos Comunistas) que tinha, no núcleo douradense, por elementos civis tais como o também ex-vereador Celso Muller do Amaral e Dalmário Vicente de Almeida, citados por diversos entrevistados do Projeto desenvolvido pela Universidade Federal.

Colonos perseguidos eram trazidos para a delegacia de polícia de Dourados, alguns ficaram vários dias ou semanas detidos, sofrendo pressões psicológicas. O método de intimidação mais utilizado pelos policiais consistia na remoção de presos na calada da noite, sendo que, logo após a retirada do preso da cela, tiros eram ouvidos do lado de fora, segundo o trabalho acadêmico. “Após serem liberados, passavam a ser discriminados em seus locais de origem. Eram apontados como comunistas por pessoas de outros partidos políticos. Uma espécie de temor atingiu toda a Colônia, confundindo petebismo com comunismo”, relata a professora Suzana no trabalho inscrito no Simpósio nacional.