O juiz Rubens Witzel Filho, da 1ª. Vara Criminal de Dourados, confirmou ontem (1) que todos os envolvidos na operação “Uragano” (furacão, em italiano), os que moram em Dourados, já foram ouvidos e também as testemunhas já foram interrogadas sobre o processo que, segundo o Tribunal de Justiça, provocou danos superiores ao R$ 35 milhões parta o Município.
A operação que a PF (Polícia Federal) deflagrou em setembro de 2010 a partir de um esquema de gravações clandestinas movido pelo ex-prefeito Ari Artuzi e o auxiliar Eleandro Passaia, flagrou, além dos dois envolvidos diretamente, também o vice-prefeito de Dourados Carlinhos Cantor e nove dos 12 vereadores elitos em 2008, os quais tiveram os mandatos cassados ou renunciaram no curso do processo.
Witzel Filho disse, porém, ao Douranews, que o processo tem se tornado longe em função de que há testemunhas a serem ouvidas em outras cidades, inclusive em outros Estados, o que necessitou a expedição de cartas precatórias. “Estamos aguardando o cumprimento e retorno destas precatórias para fecharmos a nossa parte e partir para as alegações finais”, disse o juiz.
A operação
A operação da Polícia Federal desarticulou a quadrilha que, segundo o promotor Paulo Cesar Zeni, à época encarregado da acusação, juntamente com o juiz Celso Schuch [ambos, depois, foram afastados do caso] teria provocado estragos na administração pública, envolvendo ainda vários secretários municipais e empreiteiros de obras públicas.
Em uma das gravações produzidas por Passaia, aparece inclusive o então primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, o ex-deputado Ary Rigo, revelando esquemas de transações milionárias envolvendo a Procuradoria-Geral e o próprio governador do Estado, o que rendeu o afastamento do então procurador-chefe Miguel Vieira e a não reeleição de Rigo para a Assembleia.