O doleiro Alberto Youssef assinou nesta quarta-feira (24) em Curitiba um acordo de delação premiada com o MPF (Ministério Público Federal) em troca de redução da pena de prisão. Youssef foi preso em março durante a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, acusado de chefiar um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões.
Nesta quarta, Youssef passou o dia na sede do Ministério Público Federal em Curitiba, onde firmou o acordo e já prestou o primeiro depoimento. O acordo de delação premiada será homologado pela Justiça se, depois da fase dos depoimentos, ficar comprovada a veracidade das informações que Youssef fornecer. O acordo foi assinado um dia após a defesa revelar que o doleiro tinha essa pretensão.
O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, um dos defensores de Youssef, disse na terça-feira (23) que decidiu deixar o caso depois de ter sido informado por intermediários do doleiro de que o cliente estava decidido a fazer acordo de delação premiada. O advogado não concorda com a estratégia.
Kakay ingressou na semana passada com um pedido de habeas corpus em favor de Youssef no STJ (Superior Tribunal de Justiça). O objetivo do advogado era anular todas as provas da Operação Lava Jato, que, para ele, são ilegais. Além disso, considera "parcial" o juiz do caso, Sérgio Moro, da Justiça Federal no Paraná, conforme reportagem do G1.
Outro envolvido em investigações da Polícia Federal, o ex-diretor da Petrobras José Roberto Costa, também revelou vários detalhes e personagens do escândalo envolvendo a empresa pública de petróleo após firmar acordo de delação premiada. Costa teria delatado senadores, deputados, governadores e um ministro, supostos beneficiários de recebimento de propina de um esquema de corrupção na empresa. O ex-diretor teria intermediado contratos da estatal com empresas de fachada de Youssef.