Em concorrida cerimônia de posse na manhã desta terça-feira (6), o novo ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, fez um discurso no qual enalteceu a função social da terra, a justiça no campo e a necessidade de ampliar a reforma agrária, e marcou território sobre as posições assumidas no dia anterior pela colega Kátia Abreu, que assumiu a pasta da Agricultura e Pecuária.
Ao menos uma única vez ele citou a expressão latifúndio, entendendo que esse tipo de propriedade persiste no país. A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, havia afirmado em entrevista publicada na última segunda, que os latifúndios não existem mais.
“Não basta derrubar as cercas do latifúndio. É necessário assegurar oportunidades aos que não têm acesso à terra respeitando sua função social. As conquistas são frutos das lutas dos movimentos sociais. A política é essencial para transformar a realidade”, disse Patrus Ananias no discurso.
Ao comentar sobre o direito de propriedade, o ministro afirmou que ele não é inquestionável. “Não se trata de negar o direito de propriedade, que é uma conquista. Mas o direito de propriedade não pode ser, em nosso tempo, incontrastável, inquestionável e que prevalece sobre os demais direitos e sobre o projeto de realização das possibilidades nacionais”.
Um dos coordenadores nacionais do MST presentes à posse, Alexandre Conceição defendeu Patrus e diz que o movimento apoia a indicação dele. “Viemos prestigiar a posse do ministro Patrus. Estamos bastante otimistas com sua indicação. Gostamos da defesa que ele fez da função social da terra”, disse o dirigente.